sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Por detrás do autor | Elizabete Cruz

Depois desta rubrica ter estado adormecida durante uns tempos, eis que volta ao blog, e volta em grande com uma autora que apesar de bastante jovem já tem um caminho traçado pelo mundo das palavras. Recentemente brindou-nos com o livro Face Negra
Como é óbvio estou a falar da:

Elizabete Cruz

Elizabete Cruz nasceu a 18 de Junho de 1992 em Montreux, na Suíça. Estuda Radiologia na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto, pelo que vive no Porto em tempo de aulas e em Viana do Castelo nas férias e ao fim de semana. Começou a escrever aos 16 anos, editando o seu primeiro romance, Espelho Indesejado, em 2010, pela HM Editora e em 2012, pela Corpos Editora, o livro "O Homem que Amava Demais".

Muito amavelmente disponibilizou-se para responder a umas pequenas perguntas.

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Para iniciar, gostaria que nos apresentasses as duas faces da Elizabete, ou seja, qual é a tua face branca e a tua face negra?
Posso desde já dizer que esta pergunta me provocou um sorriso porque, como toda a gente, tenho um lado bom mas também tenho um lado não tão bom! A minha face branca é capaz de ajudar as pessoas, porque realmente gosto de o fazer, é capaz de arrancar um sorriso ou fazer alguém sentir-se bem. No entanto, sei que por vezes a minha face branca se confunde com a negra, porque o meu feitio pode ser mal julgado. Eu posso ser brusca, maldosa ou inconveniente, mas quem me conhece sabe que não é realmente a minha face negra a falar. Quem não me conhece pensa que eu sou uma pessoa intragável. Não obstante isso, eu tenho realmente um lado negro, um que felizmente só se costuma manifestar quando escrevo. É que quando quero realmente ser maldosa, desdenhosa, quando quero realmente demonstrar o meu desapreço, essa pessoa pode esperar sentir o meu desprezo, porque isso vai acontecer. E eu chateio-me poucas vezes, mas quando me chateio a coisa pode ficar feia. Que o diga a minha colega de casa!


Apesar de jovem, já tens um bom caminho traçado no mundo dos livros. O que é que te encanta no mundo da escrita? Foi algo que nasceu naturalmente em ti?
Se dissesse que sempre escrevi bem (acreditando que agora escrevo mais ou menos bem) seria mentira, mas sem dúvida que foi algo que sempre gostei de fazer. Mesmo na escola primária, quando diziam para escrever alguma coisa, ficava tudo frustrado menos eu. Lembro-me até que uma altura uma história minha foi eleita para participar num concurso qualquer pela escola! (não me perguntem o resultado, não me lembro). Não sei se nasceu naturalmente em mim, mas sem dúvida que foi algo que foi sendo aperfeiçoado com a idade, mesmo que em algumas alturas da minha vida tenha fugido desse meu hobbie. Em relação ao que me encanta no mundo da escrita, é sem dúvida poder ser eu a criar as personagens e a decidir o que lhes vai acontecer. É poder criar vidas e vivê-las como se fossem minhas. É poder apaixonar-me pelo jovem norueguês que toca violino ou pelo agradável bailarino que é obcecado pelo cabelo ou mesmo pelo hippie doido que gosta de montar bombas. No mundo da escrita, ou posso ser quem eu quiser a partir daquilo que crio.


De todos os livros até agora lançados, haverá algum que te apeteça mudar? Estou a falar de uma mudança mais drástica e não de pequenas alterações.
Podia dizer que mudaria muita coisa no meu primeiro livro, mas se tivesse oportunidade para isso não o faria. Foi o meu primeiro e nele depositei todo o meu amor. Apesar dos erros que cometi, sei que eles foram necessários e deixaria ficá-los com orgulho. Em relação ao “O Homem Que Amava Demais”, talvez mudasse algumas coisas, especialmente em relação aos tempos da acção e à personagem principal, Inês. Tentaria que ela tivesse sido mais marcante e não uma bóia ao sabor do mar.



Enquanto escritora e boa observadora do mundo, haverá sempre coisas em que te inspiras. Gostaria que partilhasses as tuas fontes de inspiração para construíres toda a história? Alguma dessas fontes de inspiração é algum escritor?

Uma das minhas grandes inspirações é a música. Para tudo. Estou neste momento a responder a esta entrevista e a ouvir música. O mesmo faço quando escrevo, chegando ao cúmulo de pôr a mesma música a tocar por horas a fio se ela me inspirar. Fora isso, inspiro-me muito nas pessoas, mesmo que não as conheça. A partir delas, só de as olhar, consigo criar histórias, imaginando o que essa pessoa conseguiria fazer. Depois, claro, inspiro-me no que vejo, seja à minha volta ou na televisão. Como trabalho num hospital, ouço histórias e chegam-me às mãos casos que podem dar histórias. O mesmo se passa com histórias e situações entre amigos. A maioria das coisas do dia-a-dia serve de inspiração quando se anda à procura dela. 
Curiosamente, não há nenhum autor no qual me inspire. Claro que há autores que consigo tentar seguir, mas a maioria dos autores que aprecio verdadeiramente escrevem policiais, e essa não é a minha praia. Assim sendo, fico-me pela inveja que sinto da genialidade de algumas pessoas.


Debruçando-nos agora sobre o teu último trabalho, o Face Negra. O que é que foi mais fácil e mais difícil na construção das personagens e da narrativa?
Com certeza que o mais difícil foi o facto de nunca ter conhecido ninguém que se adequasse com as características das personagens. A Daniela está bem no centro da narrativa, mas eu nunca convivi com uma stripper ou uma prostituta e muito menos estive num clube de strip. No máximo convivi com um estudante de medicina, que me mostrou a Faculdade de Medicina do Porto. Para além disso enveredei por áreas que nada têm a ver com o que eu estudo, nomeadamente o que está ligado a processos de adopção. Conseguir algo que se aproximasse da realidade exigiu muita pesquisa. 
Em relação ao mais fácil, com certeza foi o facto de as personagens me agradarem. O trio principal foi criado para que existisse mesmo, para que eu os conhecesse e eles fizessem parte da minha vida. Todos eles têm algum traço que vem daquilo que eu gosto nas pessoas e claro, quando se trabalha com pessoas de quem gostamos as coisas tornam-se muito mais fáceis.



Tens alguma personagem preferida? Ou seja, aquela personagem que por mais que haja falta de inspiração há sempre vontade de escrever sobre e para ela.

Esta pergunta é muito fácil. Sem dúvida que é o Marco. Apesar de gostar muito da Daniela, o Marco deu-me muito gozo. Era uma personagem que me obrigava a ser séria e bem-disposta ao mesmo tempo e isso puxava pelo meu bom humor. Ele foi feito para ser um dos preferidos dos leitores e quero que continue assim. Assumo que tenho medo de voltar a pegar nele e estragar um pouco aquilo que fiz com ele até agora, mas aí também está o verdadeiro desafio. Não quero que nenhuma fã do Marco me coloque uma bomba debaixo da cama! 



Das várias reacções que foste recebendo dos leitores, quais foram aquelas que mais te surpreenderam?

As reacções foram diversas, umas positivas, outras nem tanto, mas isso já seria de esperar. Acho que não estava à espera que o Marco fosse mobilizar tanta gente, muito menos esperava receber ameaças do género “se ele fica com a Daniela, eu chateio-me contigo!”. Como já disse, ele era uma personagem na qual eu depositava alguma esperança de sucesso, mas ele realmente conquistou um público. Isso sim, surpreendeu-me, porque acho que nunca tive nenhuma personagem que provocasse tais sensações num leitor. Claro que é um enorme motivo de orgulho para mim que ele tivesse nascido para o mundo literário, mas o caminho dele é agora muito difícil de traçar por causa disso mesmo.


Imagina que está aqui alguém indeciso acerca da compra do Face Negra, o que é que lhe dirias de forma a convencê-lo. 
Bem, antes de mais, eu não nasci em Portugal, mas podem ver no meu CC que tenho nacionalidade portuguesa. Por isso, e porque acho que os autores portugueses merecem realmente apoio, considero esse um bom motivo para levarem o meu livro. Para além disso, depositei neste livro muito de mim e alguma esperança de sucesso. É uma história que eu considero diferente na medida em que a personagem principal é a vilã e as pessoas não gostam dela, mas mesmo assim não lhe desejam mal. Não podem esperar muito romance neste “Face Negra”, mas pelo menos bastante malícia e planos brutais vão encontrar. E claro, vão ter a bruxa má, o fiel servo e o príncipe encantado que, ao contrário do que é costume, está perdidamente apaixonado pela bruxa má! Portanto, eu li, gostei muito e aconselho a comprarem (riso!).


Quanto a projectos futuros, o que é que tens em mente?
Como anunciei recentemente, vou começar a escrever o Face #2, a continuação da história do Marco, da Daniela e do Dyre. A história irá passar-se sete anos depois do que aconteceu no “Face Negra” e cada uma destas personagens irá estar em trilhos que acho que ninguém estava à espera. Quero dar o final merecido a cada um deles. 
Enquanto isso, ando a dedicar-me a algo que já há muito, muito tempo tinha em mente: escrever algo do género fantástico. Será arriscado, eu sei, mas quero mesmo tentar, por isso tenho em mente uma quadrologia que está a ser trabalhada intensamente. O primeiro volume estará, em princípio, pronto até ao final do ano, e acreditem que ele será um presente de Natal para os meus fãs. Mais novidades virão nos próximos tempos acerca dele!

Muito obrigada, Elizabete!

2 comentários:

Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!