sexta-feira, 5 de julho de 2013

Tempo Roubado [Opinião]


Tempo Roubado

Autor: Sunny Jacobs
Ano: 2008
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 402 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Desafio: De A a Z...

Sinopse
Em 1976, uma mãe de vinte e oito anos e o seu parceiro são indevidamente condenados à morte pelo assassinato de dois polícias. Sunny passou cinco anos nos corredores da morte numa solitária. A sua única tábua de salvação eram as cartas apaixonadas entre ela e Jesse, que lhe dava amor e força, ecoando a convicção de ambos de que e breve a verdade viria ao de cima. Recusou-se a perder a esperança, apesar de o sistema legal ter permitido que testemunhos falsos e um teste e polígrafo inconclusivo a condenassem, negligenciando provas escondidas e a confissão do verdadeiro assassino.
Sunny manteve a coragem e lutou para provar a sua inocência - até que em 1992 foi finalmente libertada, dezassete anos depois de a sua desgraça ter começado. Mas para Jesse foi dois anos tarde de mais, pois morreu numa horrível e brutal execução que indignou o mundo.
A vida de Sunny Jacobs está cheia de tragédias e mesmo assim a sua história é um exemplo brilhante de triunfo de uma mulher sobre o desespero. 

Sunny Jacobs é agora uma mulher livre. Dá aulas de ioga e viaja pelo mundo, com o seu companheiro irlandês Peter Pringle, para consciencializar as pessoas acerca da pena de morte. A sua história é o tema da peça galardoada The Exonerated, onde interpretou a sua própria personagem. Sunny e Peter vivem na Irlanda.

Opinião
Cruzei-me com este livro na biblioteca por acaso. O seu título e a sua temática chamaram a minha atenção. Tempo Roubado traz-nos o relato na primeira pessoa de uma jovem, Sunny Jacobs, que é julgada e condenada por um crime do qual não é responsável. No primeiro julgamento, o casal Sunny e Jesse são condenados à morte.

 As circunstâncias que conduzem à acusação deles são o resultado de uma personalidade imatura e um estilo de vida irresponsável. Sunny e Jesse viviam uma vida pouco estável e acabaram por estar no local errado à hora errada.

A partir do momento da condenação assistimos a um relato duro por parte de Sunny ao longo dos cinco anos que passa no corredor da morte. O corredor da morte é o local, na prisão, onde os condenados à morte aguardam a execução.

Com o passar do tempo assistimos a um crescimento interior de Sunny. Amadurece e reflecte de uma forma muito positiva acerca de tudo o que viveu, acerca dos seus comportamentos e acerca da forma como lidou com os seus amigos e familiares.

A parte final do livro é muito intensa. Jesse não teve a mesma sorte de Sunny e acaba condenado à morte. São páginas marcadas pela tristeza. São duras de ler.

Ao longo do livro Sunny dá-nos a conhecer algumas cartas que trocou com Jesse e com alguns familiares. São cartas muito ilustrativas do turbilhão emocional que Sunny e aqueles que lhe são próximos vivem.

Gostei da descrição da vida quotidiana de Sunny na prisão. É uma realidade que não conhecemos e é difícil assimilarmos até que ponto a privação de liberdade afecta a sua mental. Acho que só quem perde a liberdade é que consegue definir a sua importância. Penso que a atitude de Sunny no momento da libertação ilustra o quanto o mundo cá fora se mostra diferente aos olhos de quem viveu afastada dele durante muito tempo.

A parte mais aborrecida do livro corresponde às questões jurídicas e nem sempre fáceis de compreende para quem não está familiarizado com o sistema judicial e prisional.

As pessoas que vão passando pela vida de Sunny na prisão são tantas que a dada altura ficamos um pouco confusos sem saber quem é quem, sem saber quem naquele momento partilha a cela com ela.

É um livro duro que mostra uma realidade muito distante da nossa. É impossível não sentir indignação pela forma imparcial e incoerente como o julgamento de Sunny e Jesse foi conduzido. É um livro que convida à reflexão. 

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