sexta-feira, 28 de junho de 2013

Por detrás do autor | Soraia Pereira

Desta vez, o Por detrás do autor vem dar-vos a conhecer melhor a escritora Soraia Pereira que muito recentemente deu a conhecer a sua escrita através do livro Ligação. Este é o primeiro livro da Saga Anjos Negros, uma saga onde o mundo sobrenatural nos é apresentado através do olhar e da criatividade da Soraia.


Desde já agradeço a colaboração da Soraia que, muito prontamente, acedeu a responder a umas pequenas perguntas.


1. Soraia, gostaria que te desses a conhecer aos teus leitores. Por isso, quem é a Soraia enquanto pessoa que vive e enquanto pessoa que escreve?

Olá Silvana e olá leitores do blog Por detrás das palavras. Antes de começar a falar (escrever) pelos cotovelos, deixa-me agradecer-te por teres aceite o desafio E.E.E.B (E-book Edição Especial Bloggers) através da qual conheceste o meu trabalho como escritora/autora.
Respondendo à tua pergunta, somos uma só e ao mesmo tempo somos distintas. O meu Eu escritor precisa das vivências do meu Eu pessoa para poder imaginar, criar, viver no papel as passagens necessárias para a criação da história. O meu Eu pessoa precisa do meu outro Eu para exteriorizar o excesso de imaginação que sempre me acompanhou desde miúda.


2. Em primeiro lugar gostaria que desses a conhecer um bocadinho da tua faceta de leitora. Existe algum(ns) autor(es) ou livro(s) que ocupe um lugar especial na tua estante de leituras.

Sou completamente viciada em livros. Sofro de bibliofilia crónica. Compro livros para os ler e não para os ter acumulados na estante. Mexe-me com os nervos ter livros por ler. Olho para eles e não sei o que eles me estão a esconder e gosto de olhar para eles e pensar ”ah-ah, sei tudo sobre ti meu menino”. Apesar de sempre ter tido muita afinidade com letras (ao contrário dos números) a minha paixão pelos livros foi, por assim dizer, atiçada no natal de 2009 quando o meu namorado me ofereceu 1 livro (Crepúsculo, da Saga Twilight) como prenda. Desde esse livro nunca mais parei de ler. Leio 2 a 3 livros em simultâneo. Adoro literatura fantástica, fantasia urbana, romance paranormal. Como se costuma dizer, é a minha praia. No entanto se uma sinopse me interessar ou o tema em si me parecer interessante, leio. Mesmo que não seja fantástico ou paranormal. Quanto aos lugares especiais na minha estante e respectivos autores. O primeiro livro que li a sério foi ‘Os filhos da droga’ de Christiane F, tinha 12 anos na altura. Depois, quando a febre da leitura voltou a despertar, nessa altura com 23 anos, descobri aquela que se tornou a minha autora preferida e a base do meu género de escrita. Sherrilyn Kenyon com a Saga Predadores da Noite. Adoro a saga mas o livro do Acheron (décimo quinto livro da saga) ficou para sempre como O LIVRO! Talvez por o ter conhecido numa altura menos boa da minha vida, a empatia e a ligação entre mim e ele foi tão grande que já o li para cima de cinco vezes e o livro tem cerca de oitocentas páginas. Por último tenho ‘A rapariga que roubava livros’ de Markus Zusak. Este livro chegou há relativamente pouco tempo à minha estante. Foi oferecido por uma amiga e a juntar a esse factor é um livro com um relato impressionante e chocante. Apaixonei-me por ele. E são estes os meus 3 tesouros mais brilhantes. 


3. Como e quando surgiu esta paixão pela escrita?

O processo de escrita foi do mais estranho que possam imaginar. Primeiro, porque eu nunca, em momento algum da minha vida, nem mesmo em miúda tinha sonhando ou pensado sequer em ser escritora e escrever fosse o que fosse. Para mim ou para os outros. Desejei ser imensa coisa (curiosamente não sou nada do que desejei um dia ser) mas nunca escritora. Então, em meados de 2009 estava eu no meu antigo posto de trabalho sem nada para fazer (devido à crise tínhamos sofrido uma enorme quebra nas encomendas) e então, para ‘matar’ o tempo decidi abrir uma folha do word e escrever para lá qualquer coisa. Parece que a paixão pela escrita surgiu numa tarde de aborrecimento e tédio brutal *sorrisos*.


4. O que é que te seduz no processo da escrita de um livro ou de um conto?

Acho que é aquele poder de nos tornarmos super heróis ou vilões por uns minutos. É extrapolar a nossa realidade e viajar para outros mundos diferentes. É ter a possibilidade de ser bipolar ou pior sem que nos internem num hospício *gargalhada*. Acho que é a liberdade infinita que me puxa para perto de uma folha word.


5. De entre todos os géneros literários existentes, tu decidiste-te pelo fantástico. Há alguma razão especial por teres enveredado por este género? Eras capaz de te aventurar noutros géneros? Se sim, em quais?

Talvez me tenha decidido pelo fantástico porque é o estilo de leitura que mais gosto de ler. A sensação de sair desta realidade e entrar noutra que não existe é talvez aquele factor que mais me apaixona. Quer dizer, para realidades normais, com pessoas normais e situações normais já tenho a minha, certo? Quanto a aventurar-me noutros géneros, sinceramente? Não sei. Eu passo para o papel o que imagino, o que surge. Se aparecer uma história infantil ou um romance, ou um thriller que me leve a passar a história para o papel, então aceito o desafio e tento fazê-lo. Mas não me forço a escrever um thriller só porque está na moda ou é aquilo que mais vende no momento. Mas se a minha imaginação me desafiasse, então claro que sim. Gosto sempre de um bom desafio. 


6. Focando-nos agora no teu livro, Ligação foi o teu primeiro livro publicado. Queres contar um bocadinho sobre como começou esta aventura?

Como em tudo na vida esta experiência teve coisas boas e coisas más. Aprendi imenso e continuo a saber muito pouco. Esta minha aventura na publicação começou em Outubro de 2012, como podem ver é uma aventura muito recente e muito verdinha. Felizmente tenho conhecido pessoas excelentes que me têm ajudado imenso a lidar com ambos os lados da moeda. Mas é um processo duro e por vezes penoso. No entanto acredito que quando fazemos as coisas com o verdadeiro amor à camisola tudo se torna mais descomplicado.


7. O cenário que serve de fundo ao desenrolar de toda a trama e Nova Iorque. Qual a razão que te levou a viajares com todas as tuas personagens para essa cidade? Há alguma coisa em especial dessa cidade que te cative?

Nunca estive em Nova Iorque mas foi sempre uma cidade que me cativou. Adoro ver filmes que tenham N.Y. como pano de fundo. Não sei, é uma cidade que para mim é mágica. Adorava visitar a cidade e ficar lá uma data de tempo com pessoas que lá morassem para poder conhecer tudo e mais alguma coisa sobre a cidade, as pessoas, os costumes. Tudo!


8. No teu blog podemos encontrar algumas curiosidades acerca do conteúdo do livro Ligação, nomeadamente sobre a forma como os nomes das personagens masculinas dos Anjos Negros surgiram. Mas, como é que foi o processo de criação da personalidade dessas personagens?

Os nomes surgiram num fim-de-semana em Barcelona mas o carácter das personagens e as suas personalidades surgiram antes dos nomes e são uma mistura das personalidades das pessoas que marcaram a minha vida de uma forma ou de outra. O meu círculo de amigos, a minha família, eu mesma e até esta ou aquela pessoa que por mão do destino deixou de fazer parte desse círculo de amigos. 


9. Relativamente aos Sombras, como é que eles surgiram na criação do livro?

Bom, esta parte tem a ver com os meus pesadelos de infância. Estava constantemente a sonhar com Sombras que vinham e raptavam os meus pais e me deixavam sozinha. Então foi uma maneira de me vingar dos pesadelos de miúda colocando os vilões na minha história e matando-os a todos, ou quase todos. J


10. O que é que foi mais fácil e mais difícil na escrita deste livro?

O Ligação foi escrito entre 02-09-2010 e a 14-11-2010 data em que terminei o primeiro draft. Aconteceu tudo tão depressa que não te consigo identificar nenhum aspecto que tenha sido difícil ou fácil. As ideias principais surgiram na minha cabeça e eu só tive de criar situações e conduzir as personagens a determinados desfechos. Acho que por ter escrito de mim para mim e por não haver expectativas alheias o processo foi muito mais simples. A ideia era divertir-me e não vencer um concurso ou ganhar um troféu Até 2012 as minhas histórias eram apenas isso, minhas histórias. 


11. O que é que podes adiantar, aos teus leitores, sobre os próximos volumes da série? O que é que podemos esperar?

Ligação é o primeiro livro e até a saga terminar faltam 11 e destes 8 histórias já estão terminadas. O humor, a descontracção, a simplicidade vão continuar presentes. Muita aventura, muitos mistérios. Muitas novidades… Introdução de novas personagens e o desaparecimento de outras. As histórias dos guerreiros são todas diferentes, cada uma com o seu propósito, com a sua missão. Tenho recebido muitos feedbacks a dizerem que gostariam de ter visto mais da Jessica no primeiro livro. Bom, ao contrário do que normalmente acontece, e apesar do Ligação ter sido o livro da Jessica e do Leonardo, as personagens vão continuar a ter o seu tempo de antena durante toda a saga.
Imaginem um bolo dividido em 12 fatias. É isso que a saga é. A cada fatia vão descobrir aspectos importantes, micro histórias que vão culminar numa história só. Quando terminarem de ler o segundo livro (que já se encontra na primeira fase de revisões) vão reparar que a história é contínua à primeira e que aspectos que possam ter passado despercebidos ou até superficiais no primeiro livro terão uma nova relevância no segundo e o mesmo se aplica no terceiro e depois no quarto, etc, etc, etc. 
Claro que o leitor não adivinha a intenção do autor, se a mesma foi propositada ou não. Ler uma saga é um processo contínuo. Uma aventura que começa com uma história e se prolonga durante 1, 2, 3 ou mais livros. Quanto aos aspectos de escrita, obviamente vou tentar aprumar e melhorar mas sem fugir do meu estilo, da minha marca e da minha personalidade. Tenho noção de que nunca vou conseguir agradar a toda a gente mas vou esforçar-me para que o número de satisfeitos continue a subir. 


12. O que dirias àqueles que, neste momento, estão a ler esta entrevista e a ponderar a leitura do teu livro.

Um aspecto que começa a mudar nos leitores portugueses é o facto de se focarem no escritor/ autor e deixarem de lado quem editou ou publicou a história e acho que isso é o primeiro ponto e o mais fundamental. Existem óptimas histórias começadas em edição de autor e péssimas histórias publicadas por grandes editoras e vice-versa. O meu apelo aos leitores é o seguinte: Dêem uma oportunidade ao escritor/autor e à sua história e esqueçam tudo o resto. Eu pergunto: quem teve o trabalho de pensar e escrever a história? Quem merece ver o seu trabalho reconhecido e opinado para que possa melhorar e crescer? A resposta é apenas uma: o escritor/autor. E é isso que eu peço para o meu trabalho: uma oportunidade. Há algum tempo atrás só lia livros editados em português mas de autores estrangeiros. Tinha receio de não conseguir encontrar nos livros de autores portugueses a magia que procuro numa história. Até que decidi arriscar e comecei a ler livros de autores portugueses e só tenho tido boas surpresas. Arrisco-me a dizer que metade das leituras deste ano têm sido maioritariamente portuguesas. Umas vezes compro (tento sempre fazê-lo junto do autor e dessa forma ‘cravar-lhe’ um autografo e uma dedicatória), outras vezes são emprestados (infelizmente o flagelo do desemprego também me bateu à porta e infelizmente os livros no nosso pais são caríssimos principalmente os de autores portugueses) mas se for um livro que me agrada, assim que tenho uma folga económica compro o livro e guardo-o, mesmo tendo lido a história. Quando são bons livros gosto de os reler, de tempos, a tempos. 

13. Para terminares umas questões rápidas:

Um livro: Acheron
Um filme: O gangster americano
Uma música: When i'm gone - 3 doors down
Um lugar: Guimarães


Para saberem mais da autora e acompanharem o seu trabalho consultem o seu blog: http://soraiamspereira.blogspot.pt/
Podem também encomendar o livro ligação que vem com umas bonitas ofertas.
Da minha parte, só me resta agradecer à Soraia as fantásticas respostas que deu. 
Espero que gostem da entrevista.

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