quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um pequeno grande amor - Opinião


Um Pequeno Grande Amor

Autor: Fátima Lopes
Ano: 2007
Editora: Esfera dos Livros
Número de Páginas: 230 páginas
Classificação: 2 Estrelas
Desafio: Ler em português e De A a Z...

Sinopse
O amor por um filho não é fácil de descrever. Sente-se todos os dias. mesmo quando a vida nos prega partidas, quando os casamentos se desfazem, quando estamos cansados e nada parece fazer sentido, há sempre um pequeno grande amor que fala mais alto.

Depois do estrondoso sucesso de Amar depois de amar-te, com mais de 80 mil exemplares vendidos em Portugal, Fátima Lopes regressa à escrita com um segundo romance onde conta a história de Gonçalo e Estela, duas crianças que têm em comum serem filhas de pais divorciados.

Nada apontava para o fim daquele casamento. Margarida, com um bebé de meses nos braços, apaixona-se e decide separar-se. Com o divórcio, vêm as ameaças e as chantagens. É neste ambiente que cresce Gonçalo, protegido pelo amor de uma mãe disposta a tudo para garantir a felicidade do filho.

Estela não está nas prioridades da mãe, ocupada entre o trabalho e as amigas. Foi o pai que lhe mudou as fraldas e a embalou nas noites agitadas. Com o divórcio, este pai não desiste de acompanhar a filha em todos o grande passos da sua vida.

Num discurso sensível e intimista,  Fátima Lopes transporta-nos para o Universo dos mais pequenos. Como os seus olhos vêem os dramas dos adultos, como sentem as disputas e os insultos sem sentido, como sofrem sem perceberem a razão,

Os nossos filhos serão sempre pequenos para receberem o grande amor que temos para lhes dar. 

Opinião
A posição dos filhos face ao divórcio dos pais, me sempre toma contornos pacíficos e ideias para o "superior interesse da criança". E foi este o tema de partida para o livro de Fátima Lopes.
Não é o primeiro livro que leio de Fátima Lopes, mas tal como o primeiro que li Amar, depois de amar-te não fiquei rendida à forma como o livro está escrito. Gostei da temática de história, assim como os contornos e as personagens que revestem este livro, porém a forma como Fátima Lopes escreve não fomenta a ligação do leitor com o livro e a leitura. Pessoalmente, quando estou a ler os livros dela tenho a sensação de estar a vê-la a apresentar mais um dos casos que vai ao seu programa. No livro acontece tudo demasiado rápido. Falta uma maior exploração das emoções e dos acontecimentos, um maior destaque nos comportamentos e atitudes das personagens e um maior aprofundamento da temático central do livro.

Gostei muito das personagens Gonçalo e Estela, as crianças da história. Acho que retratam bem o que acontece a tantas outras crianças vítimas do desacordo dos pais num processo de divórcio. Os pais esquecem-se que se podem divorciar um do outro, mas jamais se divorciam de um filho. Aquilo a que Gonçalo foi sujeito não é apenas ficção! Senti falta de um maior aprofundamento dos sentimentos e das situações vivências pelo Gonçalo, parece que acontece tudo muito a correr e não deixa espaço ao leitor para interiorizar o que de facto esta criança sofre. O mesmo se passa com Estela. 

Um aspecto que gostei muito no livro foi o facto de Fátima Lopes não estereotipar os comportamentos, ou seja, não demonstrar que apenas a mãe assume capacidades parentais. É muito importante desmistificar o papel do pai num processo de divórcio. Apesar de ser a mãe a ter prioridade em relação aos pai, isto não significa que não há pais capazes de assumir com responsabilidade e afinco a criação e educação de uma criança. Há boas mães, assim como há bons pais e o ideal seria a guarda partilhada (o que muitas vezes se torna impossível).

Outro aspecto que gostei bastante foi a abordagem da mediação familiar como um óptimo recurso na desconstrução de relações conflituosas e tensas entre progenitores (não gostei da confusão entre médico e psicólogo!!). Mais uma vez, nota-se uma carência de desenvolvimento da temática. 

É um livro de leitura rápida, com uma temática que convida a reflexões. Neste tipo de processos de divórcio lembro-me sempre daquilo que uma amiga minha da faculdade nos dizia quando discutíamos saudavelmente estas questões. Segundo ela, ter um filho é um sentimento de egoísmo por parte dos pais. Em parte concordo com ela, quando um casal decide ter um filho existem motivações que, grande parte das vezes, se referem ao casal sem terem em conta as implicação que uma criança acarreta. Tem-se um filho para tentar salvar uma relação (o que é um enorme mito), por pressão social, porque a família pressiona, porque os pais sentem que vai completar a relação... Infelizmente, a criança ainda não pode fazer-se ouvir! 

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras.
Silvana  

2 comentários:

  1. Nunca li nada da Fátima Lopes porque não simpatizo muito com ela.:p Parece que também não perdi muito:) Beijos

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    1. :) Eu também não simpatizo muito com ela! Li o "Amar depois de Amar-te" porque achei o título engraçado, mas o conteúdo é demasiado simples!E este é igualmente muito superficial por isso não tens mesmo perdido muito! :)
      Beijinhos

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!