sexta-feira, 22 de março de 2013

Poetic Dreams

Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera, 
Se eu estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera 
passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se eu soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois e amanhã.
Se esse é o tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter 
preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, Heterónimo de Fernando Pessoa

Ontem assinalou-se o dia Mundial da Poesia e, como forma de assinalar a data escolhi um dos melhores poetas portugueses, Fernando Pessoa através de um dos meus heterónimos preferidos: Alberto Caeiro.
Fernando Pessoa é (é e não foi porque na minha opinião os grandes escritores nunca morrem) uma figura marcante da literatura portuguesa e que nos ofereceu uma obra rica e múltipla que nos faz viajar pelas palavras. 

A poesia é uma forma de as pessoas se expressarem. Pode ter mais ou  menos sentimento, pode ser mais ou menos extensa, pode falar de amor, da natureza, da amizade... Pode tocar corações, activar as lágrimas, fazer suspirar... A poesia é uma óptima forma de expressão, por isso leiam mais poesia e, principalmente, (re)descubram os grandes poetas portugueses. 

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