segunda-feira, 18 de março de 2013

O Anjo Branco - Opinião


O Anjo Branco


Autor: José Rodrigues dos Santos
Ano: 2010
Editora: Gradiva Publicações
Número de Páginas: 680 páginas
Classificação: 4 Estrelas
Desafio: Ler em português / De A a Z...

Sinopse
A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.
Chamam-lhe o Anjo Branco.
Mas a Guerra Colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.  

Opinião
O livro O Anjo Branco dá-nos a conhecer a história de José Branco. Um médico que combate contra as barreiras políticas para exercer a sua principal função cuidar das pessoas independentemente da cor, da orientação política, do papel que desempenham na Guerra Colonial. Um homem comum que se questiona sobre a bondade, a felicidade e a verdade. Um homem que aprendeu, desde cedo com o seu pai a diferença entre uma vida boa e uma boa vida. Um homem que lutou por aquilo em que acreditava. Um homem que cometeu erros, sofreu com eles e tentou repará-los. Um homem que, acima de tudo, defendeu os humanos.

O livro encontra-se divido em três partes, e como cada uma me despertou reflexões distintas vou fazer a minha análise por cada parte do livro.

Em relação à primeira parte esta é focada na infância de José perto da família. É de fácil leitura, embora a linguagem que por vezes é utilizada penso que seja desadequado para o nível social das personagens que me pareceu ser elevado. Não tens acontecimentos arrebatadores que nos deixem presos e nos inflamem as emoções. Muito sinceramente considero que um dos aspectos centrais desta parte referente ao José não seria necessário. 

A segunda parte é, para mim, a melhor parte. Aqui são relatados os trabalhos de José Branco na África profunda. O seu trabalho foi incansável. Lê-se muito rápido devido à capacidade que os acontecimentos têm de prender os leitores. Senti-mo-nos inebriados pelas características e atitudes das personagens, pelos acontecimentos terríveis que a Guerra Colonial "ofereceu" a África e à enorme quantidade de soldados que para lá foram, dizem eles em nome da pátria. Adorei esta parte do livro! Muitas vezes senti vontade de saltar para dentro daquelas páginas entrar no avião do médico e ajudá-los nas missões que ele levava a cabo. Senti vontade de entrar naquele hospital de Tete, no interior de Moçambique e ajudara aquela fantástica irmã Lúcia nos cuidados que prestava aos doentes. Apenas senti falta de uma maior presença de Mimicas, a esposa de José Branco. Acho que uma maior interacção entre eles tornava o capítulo ainda melhor e ajudaria a compreender melhor aquilo que se passou no final. Este casal merecia mais. 

Por fim, a terceira parte que nos revela o pior da Guerra Colonial. É um capítulo com um início violento que nos provoca náuseas. É nesta parte que todo enredo culmina num final que me deixou muitas dúvidas. Quando cheguei a última página só me perguntava "Mas o que é isto?". Como é que podem terminar o livro deixar as coisas em branco, num vazio existencial de dúvidas para serem esclarecidas... O livro merecia outro final, pelo menos mais detalhado e desenvolvido. Não achei justo o autor lançar a dúvida em relação a uma determinada personagem e depois, no fim não paga esta fogueira de curiosidade que acendeu nos leitores. 

É um óptimo livro. Um leitura que eu recomendo sem qualquer reserva. Facilmente nos encantamos com Moçambique e nos identificamos com o sofrimento, a luta e a revolta daquelas personagens. É um livro que nos faz pensar sobre um período da nossa história que marcou muitas pessoas e que ainda hoje marca, como é o caso de ex-soldados que sofrem de stress pós-traumático. Soldados que procuram "turras" ao som dos barulhos que se assemelham a tiros, que caminham ao longo das margens do Zambeze tentando salvar-se. Pessoas que ainda hoje mergulham no terror de uma guerra. 

Deixem-se invadir pelas palavras e boas leituras.
Silvana  

4 comentários:

  1. Olá Silvana,
    já li esse livro e gostei bastante! Gostei muito de conhecer o médico e saber todo o esforço que ele fez para conseguir ajudar os outros que precisavam...
    Beijinhos e boas leituras**

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    1. Olá Carolina,
      Sim é um livro fantástico nesse sentido. Ainda gostamos mais por sabermos que na realidade tal aconteceu, não necessariamente da mesma forma que nos é apresentada no livro.
      Beijinhos e Boas leituras :)

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  2. ola, estava indecisa em relação a este livro, agora fiquei com muita curiosidade. tenho um selo no meu blog para ti: http://pordetrasdaspalavras.blogspot.fr/
    bjs

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    1. Olá Susana.
      Obrigada pelo selo.
      Deixa a indecisão de lado e parte para a leitura deste livro. Acho que vais gostar. Bjs

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Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!