quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Palavras Memoráveis

Não sei porque quis fugir, não sei porque já não te queria se um dia te quis tanto. As incompreensíveis armadilhas do amor, quem as sabe explicar. Um homem foge quando pensa que está a morrer. Preferia, se isso te  consola, Laura, que fosses tu a abandonar-me. Havias de perceber que é humano, preferir ficar ferido a ter de matar.

Se te amava é porque em ti se confundiam a noite e a água.
Entrelaçavam-se, vamos dizer, em redor da tua cintura.
Eras líquida, serena. Uma tranquilidade escura que me obrigava ao tacto para te agarrar. Conseguir agarrar-te enfim.
Eu só mãos, tu líquida, fugidia, uma sombra que molha e escorre e ri, mais à frente. Tu a escapares.
Tu água. 

Rodrigo Guedes de Carvalho, Mulher em branco

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