terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Mulher em Branco - Opinião


Mulher em Branco

Autor: Rodrigo Guedes de Carvalho
Ano: 2006
Editora: Publicações Dom Quixote
Número de Páginas: 295
Classificação: 1 Estrela
Desafio: De A a Z/ Ler em português de Portugal



Sinopse
Uma criança desaparece. Estava à guarda do seu pai. O choque da notícia atira a mãe para um abismo de amnésia. Sem memória, é incapaz de chorar um filho que não sabe que tem. Como podemos continuar a viver se caminhamos vazios. E há um homem que arranja uma amante enquanto visita a mulher no hospital. Ladrões que roubam cinzas de uma morta. Há as maldades desumanas do amor, um sopro pérfido que o diabo sussurra aos ouvidos. Em fundo, a irracional violência do divórcio. A bestialidade das palavras que atiramos uns aos outros como pedras. Uma mulher que espera ainda e sempre, à janela. Porque o coração é um bicho e não ouve. E uma pergunta a que não se ousa responder: Para onde vão os amores que foram um dia.

Opinião
O meu primeiro contacto com os livros de Rodrigo Guedes de Carvalho foi à cerca de 5 anos atrás quando recebi num aniversário o livro Daqui a nada. Não cheguei a acabar o livro. Tive muitas dificuldades em compreender tudo: a história, as personagens, os acontecimentos... 

Entretanto uma colega falou-me muito bem deste livro e que tinha gostado muito. Bem, pensei que estava na altura de dar uma segunda oportunidade. Infelizmente senti os mesmo problemas, contudo desta vez consegui terminar o livro e percebi um pouco melhor aquilo que o escritor quis transmitir.

A sinopse está muito apelativa. No que me diz respeito, aguçou-me logo os sentidos. Porém, a forma como as coisas são concretizas e a forma como evolui a narrativa não foi capaz de me cativar o interesse. É de realçar que Rodrigo Guedes de Carvalho te uma forma muito própria de escrever e de desenvolver os acontecimentos. Por vezes não há pontuação, há parágrafos cortados e intercalados por comentários que aprecem entre parêntesis, repetições de palavras ou expressões e uma linguagem que me causa uma certa estranheza (uso frequente de palavrões e expressões um pouco rudes). Eu sei que este tipo de linguagem é comum no nosso quotidiano mas, pessoalmente, não gosto quando ela aparece de forma excessiva nos livros.

As temáticas abordas no livro são do meu interesse e facilmente despertam a minha atenção. Começamos por ter uma criança desaparecida, o Afonso (não consegui perceber a idade, mas penso que seria um dado importante), quando estava na companhia do pai, Paulo. Laura, a mãe, perde a memória após saber do desaparecimento do filho. Esta foi uma forma de protecção por parte do corpo de Laura em confronto com uma notícia chocante. Laura e Paulo são divorciados mas com uma relação muito mal resolvida. Senti falta de uma exploração mas minuciosa desta relação no livro. Aquilo que nos chega é, por vezes, confuso. 

Uma outra temática foi a homossexualidade. Acho que neste caso, o autor foi um pouco mais feliz no desenvolvimento das personagens. Sérgio, o irmão de Laura, e Dulce, a irmã de Paulo, vivem atormentados pelo preconceito em relação à sua sexualidade. Confesso que um acontecimento particular na vida de Sérgio provocou-me arrepios. Apesar da brutalidade do acontecimento e da descrição que o acompanha sei que é algo mais comum do que aquilo que gostaria que fosse. A falta de respeito pelo outro e pelas opções dos outros causa-me muita irritação. Odeio quando vejo pessoas a olhar de lado para dois homens/mulheres que passam de mãos dadas. A mim são coisas que me passam ao lado. Pode causar-nos confusão visto ser algo que foge à norma do que é vigente na sociedade, mas isso não nos dá o direito de não respeitar as opções das outras pessoas.

Gostei de alguns momentos finais do livro. Mas ele acaba literalmente em branco. Não vou dizer mais sobre o final porque não quero estragar a surpresa a quem quiser ler o livro. No meu caso, foram determinados pontos que me motivaram para chegar ao final do livro e se vos revelasse o que é que quero dizer com o "terminar em branco" posso quebrar a vossa motivação e eu não quero que isso aconteça.

Boas leituras e deixem-se invadir pelas palavras!
Silvana

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