sábado, 22 de dezembro de 2012

Palavras Memoráveis

     - Não faças isso, Paris.
     - O quê? Recuperar o juízo?
     - Não te afastes. Não te feches em ti própria. Não me escorraces. Não me castigues. Não te castigues.
     - Tens de ir embora. Estão à espera que saias.
     - Não interessa. Esperei durante sete anos.
     - Pelo quê? - perguntou ela irritada.- O que esperaste, Dean? Que o Jack morresse?
     As palavras magoavam, como ela saberia que aconteceria. Dissera-as deliberadamente para o magoar e para o provocar, mas ele morreria antes que se permitisse qualquer das reacções. Contendo a cólera que sentia, e mantendo a voz calma, disse:
     - Esperei poder estar assim tão perto de ti.
     - E depois, o que esperavas que acontecesse? Que eu caísse nos teus braços? Que me esquecesse de tudo o que sucedeu e...
     Quando ela se interrompeu, ele arqueou uma sobrancelha numa expressão interrogadora.
     - E o quê, Paris? E amar-me? Era isso que ias dizer? É isso que tens tanto medo? De que talvez nos tivéssemos amado então e que continuemos a amar-nos?
     Ela recusou-se a responder. Dirigi-se num passo determinado para a porta da frente, abrindo-a.
     Com os agentes da polícia de vigia, ele não tinha alternativa que não fosse partir.
    Naquela altura, a água que saía do chuveiro já estava fria, mas continuava a sentir o corpo febril com um desejo ardente de saber - caso tivesse conseguido arrancá-la dela - qual teria sido a resposta à sua pergunta.
Sandra Brown, Uma voz na noite

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada pelo tempo que dedicaste à minha publicação!