segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Opinião | "Uma boa mulher" Jill Alexander Essbaum

Uma Boa Mulher
Classificação: 4 Estrelas

Deste vez decidi partir para a leitura deste livro completamente em branco. Assim que ele me chegou a casa, enviado pela Denise para o nosso projeto do empréstimo conjunto, foi diretamente para a mesinha de cabeceira e aguardou, pacientemente, a sua vez. Não li nada, nem sequer a sinopse. Não fazia ideia do assunto que era retratado no livro.

Uma boa mulher é um livro duro e emocionalmente muito depressivo. Aliás eu senti-me extremamente depressiva no fim desta leitura. Foi muito complicado acompanhar Anna no seu sofrimento silencioso. Acho que ela se sentiu uma mulher bastante vazia e isso passou para o lado de cá. O sexo, qual droga capaz de afagar o ego e camuflar os sentimentos de tristeza que brotam sem razão aparente, foi o escape dela. Não achei correto o comportamento dela, fez-me imensa confusão e, em algumas situações senti mesmo nojo dela. Porém, olhando de forma distante para a situação e pegando numa visão mais profissional consigo perceber o porquê. Se há pessoas que procuram na droga uma qualquer sensação de bem-estar, Anna encontrava-a no sexo essa sensação de bem-estar e de fuga à sua realidade.
Eu comecei a entrar mais profundamente na complexidade do ser de Anna após um acontecimento no livro que me chocou de uma maneira que nem consigo expressar por palavras. Foi muito duro ler aquela passagem.

Um outro aspeto que me atirou para a tristeza foi a forma como a Anna via a Suíça. Conhecer este país pelo olhar da Anna foi duro, triste e me deixou um pouco desiludida. Eu não conheço o país, mas muito daquilo que ouço por parte de pessoas que conheço e que lá vivem é ligeiramente diferente desta personagem. Sim, a Anna estava completamente deprimida e fora do seu "lar" emocional, mas custa imenso ler isto. Apesar de reconhecer veracidade me alguns aspetos (por exemplo: a extrema organização, o ser um país de trabalho, a rigidez das pessoas, dos lugares) sinto que ela nos pintou um quadro tão cinzento, que apenas me deixou triste. Até porque é um país que eu quero imenso conhecer.

Não consigo dar classificação máxima a este livro por dois aspetos: 1) as consultas de psicanálise pouco desenvolvidas; e 2) a necessidade de conhecer mais de Anna e mergulhar mais no seu íntimo. Estes dois aspetos acabam por estar relacionados. Se as consultas fossem mais desenvolvidas, provavelmente conseguiria saber mais de Anna, compreender melhor os fantasmas que assombravam os seus sentimentos.

Este livro tem um final épico. Dos melhores finais que já li. Aliás tive de ler duas vezes para ver se de facto tinha entendido bem.
É uma narrativa muito dura, emocionalmente pesada mas que é uma excelente mensagem de alerta para pessoas que vivem em estados depressivos e que recorrem a métodos complicados para lidar com a sua situação. Devem pedir ajuda, e o profissional deverá ser capaz de ter humildade suficiente para perceber quando já não consegue ajudar mais a pessoa. Anna não teve essa sorte. A psicanlista dela deveria tê-la reencaminhado para alguém com uma abordagem teórica diferente. Anna precisava de soluções e de uma mudança na sua vida e não o estava a conseguir com aquelas sessões.

Eu gostei do livro, apenas mexeu comigo de uma forma estranha. Deixou-me triste, depressiva, mas penso que isso poderá ser positivo. Afinal, o livro consegue passar algo para nós.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Palavras Memoráveis


Já por várias vezes pensou ter atingido o fundo, convencida de que não seria possível cair mais baixo.
Mas, em cada uma dessas ocasiões, isso revelou ser falso.
Porque o fundo é muito mais profundo do que que aquilo que supomos.
Guillaume Musso, Porque te amo

sábado, 7 de outubro de 2017

Divulgação | "Amor às claras" de Laura Kaye

Amor às claras
Laura Kaye
O castor de papel | 192 páginas | 13.40€

Sinopse
Assombrado por uma tragédia na infância e pela perda da família, ele nunca pensou a vir encontrar o amor que partilha agora com Makenna. Mas quanto mais se enamora, mais receia o caos que certamente ocorrerá se também a perder. Quando o encontro com a família dela não corre bem, Caden coloca a si mesmo a questão de Makenna merecer alguém melhor, mais forte e pura e simplesmente mais…normal.

Este é o segundo livro da série Hearts in Darkness. Assim que terminei o primeiro fiquei muito curiosa por saber como é que Makenna e Caden se iriam entender no futuro. 
Apesar das escassas páginas do primeiro livro, a autora, com a sua mestria, construiu uma narrativa envolvente e cativante. Fiquei presa a estes dois e estou muito curiosa por partir para a leitura deste livro. 
Vamos ver se a autora consegue cativar-me tal como aconteceu com o primeiro livro.
Desse lado, existe alguém com a mesma curiosidade do que eu?


Opinião | "Sangue-do-coração" de Juliet Marillier

Sangue-do-Coração
Classificação: 4 Estrelas

Eu tenho uma relação complicada com a fantasia. É um género que tenho alguma dificuldade em ler, porque nem sempre me identifico com o que os autores escrevem. Sendo eu uma pessoa muito racional as coisas ligadas ao que foge da realidade não se encaixam muito bem na minha mente. 
Apesar disso, os livro de Juliet Marillier conseguem ultrapassar a minha barreira racional e conseguem prender-me à leitura e a deixar-me encantada com as histórias e as personagens.

Sangue-do-coração é o quarto livro que leio da autora e apresenta-nos uma história inspirada na história da Bela e o Monstro (esta inspiração estava tão enraízada na minha mente que pensei que Anluan teria um final ligeiramente diferente). 
Eu gostei muito de me perder por estas páginas e conhecer todas as gerações que contribuíram para que Whistling Tor se tornasse num lugar mágico, peculiar e habitado por entidades tão diversas e com papéis tão distintos que, cada uma delas à sua maneira, oferece um toque especial ao desenvolvimento da narrativa. 

Caitrin é a personagem feminina principal e da qual gostei imenso (porém não consegue superar Sorcha nem Niamh da trilogia Sevenwaters - não há amor como o primeiro, está visto) e que carrega tanta coragem e determinação que se tornou uma verdadeira inspiração para mim. Gostei de ver a sensibilidade dela e a forma como essa mesma sensibilidade foi fundamental para chegar ao coração de cada um dos homens que habitavam as terras de Whistling Tor. 

Anluan é o nosso "mostro". Considero que é uma personagem muito interessante, que em cada passagem, me levava de volta ao monstro da Bela e o Monstro. Mas, Anluan é ainda melhor que o Monstro. O facto de termos acesso a mais informação sobre ele, à forma como cresceu e viveu até então isso deixou-me mais próxima dele e enchia-me de alegria sempre que sentia que o seu coração afastava o negro e deixava espaço para que a esperança e o amor se enraízassem.

Por fim, quero destacar Muirne. É uma antagonista brilhantemente encaixada na narrativa e que quase merecia um livro só dela. Cheguei ao fim a desejar conhecer de forma mais profunda esta mulher. Queria compreender melhor as suas motivações para toda a influência que ofereceu às diferentes passagens da narrativa.

Relativamente à parta fantasiosa da narrativa, esta centra-se em maldições, espíritos, magia negra... Da minha pouca experiência com livros do género, quando se trata de histórias que contém estes aspetos conjugados com boas personagens e uma ação interessante e cativante facilmente me deixo encantar com este género de livros.

Para quem é fã de fantasia, tenho a certeza de que este livro irá cumprir todos os requisitos destes leitores para uma boa leitura. Penso que chegarão ao fim com a sensação de terem entrado num universo paralelo, cheio de mistérios, segredos e rituais mágicos que são necessários desconstruir para conseguir que as trevas se afastem e deixem espaço para que o sol volte a brilhar no reino de Anluan.
Para quem não é fã de fantasia, libertem a mente e tente ver para além do mundo estranho que envolve as personagens. Encarem a maldição como algo exterior e que condiciona o funcionamento daquele território. É como muitas daquelas coisas que acontecem na nossa vida para as quais não temos uma explicação lógica ou racional. Whistling Tor é mesmo isso, um lugar onde o tempo ficou aprisionado na magia negra que recebeu e que apenas precisa deixar-se penetrar pela luz e bondade de alguém. O melhor é olharem para a narrativa como uma história povoada por pessoas comuns numa situação invulgar. Isto tudo para vos dizer que devem dar uma oportunidade ao livro.  

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Palavras Memoráveis


Quanto valia uma carta de amor? Aos olhos de Júbilo, muito. E nesse sentido ele, sim, estava disposto a esbanjar tudo o que guardava no seu íntimo, desde que pudesse manifestar o seu amor. E dizia-o com o coração nas mãos, não como um sacrifício. O amor, para ele, era uma força vital, a mais importante que já sentira ou experimentara. Só quando uma pessoa sentia o impulso do amor, se esquecia de si própria para pensar noutra e desejar chegar a ela, tocá-la, unir-se a ela. E para isso não era necessário ter dinheiro, bastava ter um desejo.

Laura Esquível, Tão veloz como o desejo

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Divulgação | "A síndrome de Peter Pan" de Eliana G. Pyhn


A síndrome de Peter Pan
Eliana G. Pyhn

Sinopse
O relacionamento apresentado neste livro mostra uma realidade que inúmeras mulheres enfrentam na vida quotidiana, tanto real como virtual, ao encontrarem parceiros portadores da Síndrome de Peter Pan. A história mostra as dificuldades vividas pelo homem Peter Pan e, também, pelas pessoas que se relacionam com ele. No desenrolar da trama, verá que este comportamento é muito mais comum do que se imagina, e provavelmente identificará alguém do seu convívio que possui o perfil do homem Peter Pan.
Se este comportamento trás sofrimento as pessoas diretamente envolvidas, muito maior é o dano quando estas atitudes se multiplicam e passam a dominar o comportamento de uma sociedade. E é, precisamente o que vivemos hoje, uma sociedade carente de adultos, de referências maduras e de verdadeiros líderes, mas, saturada de comportamento adolescente. Uma sociedade de Peter Pans vive à margem do mundo real, caminhando sem rumo e sem propósito, resultando na estagnação de toda uma geração.


Este livro parece trazer-nos uma temática bastante pertinente. Abordar a questão do online nas relações amorosas é algo extremamente atual e que se poderá ser importante para que as pessoas fiquem a conhecer melhor as situações que se podem gerar a partir daqui.

Espero encontrar um livro descontraído, com algum toque de psicologia pelo meio. 

Caso tenham interesse, o lançamento do livro será dia 12 de outubro, pelas 19 horas, na Livraria Bertrand Chiado.



Por detrás do blog | Eu própria

Para finalizar esta rubrica decidi responder a minha própria entrevista.
Antes de responder quero agradecer a todas as meninas que, muito gentilmente, perderam parte do seu dia para me darem o prazer de ler as suas respostas. Vou ter em conta as sugestões literárias e cinematográficas, assim como as coisas para o blog (Denise, os meus textos é que, talvez, terão de ficar para mais tarde). 

Ficam aqui as minhas respostas (vou adaptar uma pergunta).

O que é que te fascina no mundo dos livros?
São várias as coisas que me fascinam nos livros. Começo pela oportunidade de admirar a criatividade daqueles que, como escreveu a Catarina, têm a coragem de enfrentar um folha em branco e colocar em palavras tudo aquilo que habita no sub-mundo cerebral. Fascina-me a possibilidade de fugir à realidade, de esquecer os meus próprios problemas, as minhas frustrações... 
Gosto de me perder nos problemas das personagens e ponderar perspetivas e espremer as suas opções.
Ler é viajar, é sonhar, é entrar numa realidade paralela, é conquistas conhecimento e combater a ignorância.

Quando é que é mais difícil escrever uma opinião?
Para mim o mais complicado é escrever uma opinião de um livro que não teve grande impacto em mim. Sabem, aquele tipo de leituras mornas que só só serviram para nos entreter? Pois, esses são aqueles que me deixam sem vocabulário adequado para, de forma justa, expressar a minha experiência com aquela leitura. 
Gosto de escrever de livros que odiei, que me irritaram, que me fizeram revirar os olhos de insatisfação e de livros que levaram o frio do inverno ao meu coração e me fizeram sofrer. Adoro escrever sobre livros que fizeram com que o meu coração falhasse uma batida, que me deixaram a suspirar, que abriram o meu canal lacrimal deixando-no seco.
No fundo, é mais complicado escrever sobre livros que não tiveram impacto emocional, que não deixaram algum tipo de marca em mim, seja ela positiva ou negativa.

Enquanto bloguer o que é mais fácil/difícil nesta atividade?
Inspiração, criatividade e capacidade de cativar as pessoas. 
Nem sempre é fácil arranjar conteúdo interessante e diverso para o blog. Há muita coisa pela blogoesfera e impõem-se a necessidade de abordarmos os temas com um cunho pessoal e criativo. Isso nem sempre é fácil e consome grande parte do nosso esforço. 
Por fim, acho que é cada vez mais difícil cativar as pessoas para a palavras escrita. A imagem, o vídeo ganharam tamanha expressão que a palavra escrita começa a ser "chutada para canto". Os vídeos são de acesso mais fácil, pois é mais instantâneo e que exige menos esforço da nossa parte (é fácil estar a ver um vídeo ao mesmo tempo que fazemos outra coisa). 

O que achas que falta à comunidade da blogoesfera?
Aqui concordo com tudo o que as meninas que responderam a esta entrevista. Penso que deveria de haver mais solidariedade, mais projetos conjuntos e diversificados (ou seja não fazermos as coisas sempre com as mesmas pessoas) e mais partilha.

Onde procuras inspiração para o desenvolvimento do teu blog?
Praticamente tudo me inspira. Posso dizer que sou um bocado "idiota". Quando estou a fazer limpeza, quando estou a ler, quando estou a ouvir música, quando estou a caminhar, quando estou a tratar do meu cão, enquanto navego pelo internet... tudo é motivo para pensar, inventar, desconstruir e construir. Muitas vezes tenho dificuldade em desligar o botão. Atenção, tudo piora quando tenho muitas coisas a exigirem a minha imaginação e criatividade. 
Por exemplo, hoje, enquanto fazia limpezas, conseguir criar um guião para um workshop que preciso de fazer daqui a duas semanas. Neste guião, e como se não bastasse, tive um ideia que vai implicar um maior trabalho da minha parte, uma vez que vou construir atividades de raiz. A parte engraçada da coisa... Isto trouxe-me algumas ideias para o blog... E agora operacionalizar tudo?

Um livro especial para ti
Realmente esta é uma pergunta ingrata para qualquer livrólico. Escolher apenas um livro especial é uma tortura. Mas temos de ser capazes de sintetizar informação e sermos objetivos. De entre os vários livros especiais, aquele que me vem imediatamente agora à memória é O ladrão de sombras de Marc Levy. É um livro especial pela mensagem que ele nos oferece. 

Uma música que te toque de forma especial
Esta pergunta é um bocadinho como a primeira. Também é complicado escolher apenas uma música, porque tenho várias. 
Mas vou colocar aqui uma que me faz arrepiar assim que os primeiros acordes "choram" ao sair do vibrar das cordas de uma guitarra portuguesa.

Coimbra fica-nos no sangue, consome-nos o coração de saudade e, muitas vezes, atira-nos para um poço de melancolia que faz emergir todo um conjunto de recordações intensas. Já deixei Coimbra para trás há alguns anos, mas ficou lá um pedaço meu e outro da cidade veio e vive comigo. Esta música em especial mexe muito comigo. Ao ouvi-la e como se estivesse, novamente, a percorrer aquelas ruas. A subir o quebra costas enquanto nos queixávamos dos trabalhos, a correr para apanhar o elevador que me trazia ao mercado, a descer as monumentais para um almoço na cantina, os jantares que antecediam as noites de serenata, as serenatas, os jantares até de madrugada numa casa que respirava boa disposição, o Mondego que me me recebia todas as manhãs...
Coimbra, como diz uma música, é o passar de tempo que não passa, num passar de tempo que não volta.

Um filme inesquecível
Notting Hill, um filme que me traz boas recordações de um tempo onde os problemas eram tão pequenos.

O que é que gostarias de fazer pelo meu blog?
Sou uma pessoa insatisfeita com tudo. Portanto gostava de ter um aspeto mais bonito (mas não tenho grande jeito para a edição), gostava de trazer conteúdos mais apelativos para o blog, gostava de ter tempo para colocar as minhas idiotices em prática. 

Que livro eu devia mesmo ler?
Qualquer um de José Saramago. É uma vergonha não conhecer o trabalho de alguém que nos deu um dos grandes prémios da literatura.