sexta-feira, 15 de março de 2019

Top Five | Livros de escritoras portuguesas


De forma a ter mais liberdade na elaboração de listas de preferidos inauguro hoje o meu próprio Top Five. A partir de hoje os temas serão decididos por mim ou em resultado de sugestões vossas, e não terão um dia específico para sair. 

Na semana passada assinalou-se o Dia Internacional da Mulher, por isso quero deixar-vos a sugestão de 5 livros escritos por mulheres portuguesas. Foram livros que eu gostei muito e que ocupam um lugar especial na minha memória literária. 

- Maresia e Fortuna (Andreia Ferreira): Este foi o livro da Andreia que mais gostei de ler até agora. O seu lado mais negro, as descrições das bonitas praias do norte e um final que impressionada são ingredientes capazes de agradar a muitos leitores.

- O Funeral da Nossa Mãe (Célia Loureiro): Uma saga familiar muito bem construída e que não fica atrás de nenhum livro internacional. Há romance, há drama, há emoção e tudo isto é-nos apresentado na escrita singular e apaixonante que transborda das mãos da Célia.

- A Chama ao Vento (Carla Soares): Não tive uma paixão instantânea com este livro. Li-o numa altura particularmente difícil. Porém, à medida que o tempo passa, a história ainda permanece na minha memória. Uma boa história e uma escrita inesquecível.

- As Últimas Linhas Destas Mãos (Susana Velho): Esta foi a minha grande surpresa literária do ano passado. Das mãos da Susana saiu uma escrita delicada e cheia de sensibilidade. Um livro que fala de dos diferentes lados do amor: o lado feliz e o lado triste. 

- A Fada Oriana (Sophia Andresen): Não posso falar da minha infância literária sem recordar os livros de Sophia. Tenho dificuldade em eleger o meu preferido, mas sempre que o tenho de fazer escolho aquele que nos fala de uma fada que tem pena dos humanos por não terem asas para voar por cima dos seus problemas. É uma história muito bonita e com uma mensagem que nunca deixará de ser pertinente.

Maresia e Fortuna  O Funeral da Nossa Mãe   A Chama ao Vento    36593891   A Fada Oriana

quarta-feira, 13 de março de 2019

Opinião | "Loanda" de Isabel Valadão

Loanda
Classificação: 1 Estrela

Esta leitura acompanhou-me durante muitas semanas. Foi uma leitura prolongada porque me obriguei a terminar o livro e porque tinha a esperança de retirar algo de positivo de toda esta história. Consegui terminar e sobreviveu a minha desilusão perante o tempo que insisti com esta história.

De um modo geral tudo neste livro funciona de forma muito artificial. Os diálogos não são naturais, não nos transmitem iteração entre as personagens e deixaram-me aborrecida. Não me mostrava o que estava a acontecer, apenas me contava. 
Aliado a tudo isto temos personagens pobres, mal caracterizadas e com comportamentos previsíveis e sem grande impacto emocional. 
Inicialmente até fiquei com expetativas positivas relativamente ao que iria encontrar. Gostei da premissa inicial de Maria Ortega. Infelizmente, este bom inicio dissolveu-se por meio de coisas mal explicadas, desinteressantes e em que senti que ela perdeu parte da sua essência inical. 
A relação que ela construiu com Anna de São Miguel foi muito forçada e estava sempre tudo bem entre elas, mesmo em assuntos capazes de fraturar a relação entre ambas. 
Também não consegui perceber a necessidade da escritora em usar sempre o nome completo quando se referia às personagens. Quebra o ritmo de leitura. 

Os elementos históricos que vão povoando o livro estão bem descritos, porém nem sempre os senti bem interligados com o conteúdo ficcional que a autora quis transmitir. Várias vezes me senti aborrecida, facilmente me perdi na leitura e tive necessidade de voltar atrás e reler.

Não foi uma leitura positiva para mim. Porém, vocês poderão ter uma experiência de leitura diferente. Por isso se têm este livro na estante ou têm algum interesse nele, tentem ler. Poderão gostar!

segunda-feira, 11 de março de 2019

Vencedor | "As Impertinências do Cupido" de Ana Gil Campos

As Impertinências do Cupido

Em primeiro lugar quero agradecer a todos os que participaram neste passatempo. Foram 24 os participantes, e o Random ditou que seria o concorrente número 12 a receber este livro.


O número 12 corresponde à participante Maria Inês Oliveira, a quem já enviei um e-mail. Muitos parabéns!! Aguardo teu contacto para proceder ao envio do livro.

Por detrás da tela | Mamma Mia! Here I go again (2018)


Classificação: 8/10 Estrelas

Sou fã da música dos ABBA e adorei ver o Mamma Mia. Por isso não podia deixar de ver este filme. 
Este filme é um regresso ao passado de Donna, possibilitando-nos conhecer melhor esta personagens, como foi a sua juventude. Estas partes do filme são divertidas e muito dinâmicas a atriz que interpreta  Donna na fase da juventude conseguiu transmitir aquilo que a Donna adulta deixou bem presente no primeiro filme. 

Intercaladas com as cenas do passado, temos as cenas do presente. Sophia tenta realizar o sonho da mãe. Fiquei imensamente triste por não ter Donna no presente. No contexto do filme faz sentido a sua ausência, mas eu gostei da presença dela no primeiro filme. 

É um musical, por isso esperem muita música. Tal como no primeiro filme eu adorei a forma como as músicas dos ABBA eram integradas na história. 
É ainda de reforçar as belíssimas paisagens onde o filme é gravado. Enchem a vista e deixam uma enorme vontade de voltar para lá. 

Este filme é uma excelente companhia de domingo à tarde ou dos dias de chuva. É ideal para ver em família, mas também é bom para animar almas mais solitárias. 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Dia Internacional da Mulher


13 é o número de mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal só nos três primeiros meses de 2019. E isto são as vítimas noticiadas e conhecidas. Quantos suicídios são o resultado de exaustão emocional e física sentidos pelas vítimas. E estas nem sempre entram nas estatísticas. 

Adicionando a este número de mulheres a quem a vida é retirada, ainda temos de considerar as vítimas indiretas. Quantas crianças se veem órfãs de pai e mãe (a mãe que morre e o pai que fica preso ou não o sendo não reúne condições para cuidar delas)? Como fica a família alargada perante esta tragédia?

Nada contra para com as mulheres que decidem celebrar este dia com almoços ou jantares especiais. Contudo, enquanto muitas mulheres estão em restaurantes a rir, a comer, a divertir-se algures no país há uma jovem que deixa o seu namorado aceder ao seu telemóvel e controlar aquilo que veste, há uma mulher a ser chamada de incompetente, há uma mulher cansada porque trabalhou horas mais e pelas quais não vai receber compensação, há uma mulher a ser agredida fisicamente... Enquanto muitas festejam este dia sem conhecerem o seu verdadeiro significado algures no mundo há mulheres impedidas de estudar, de ter um trabalho digno, de tirar carta de condução. E, em todo o mundo, encontramos mulheres a desempenhar as mesmas funções do que um homem, mas com um salário menor. 

Acho que este dia não deveria ser ocupado por palavras ocos ou por gestos ocasionais. Não deveria ser apenas um dia para as mulheres se juntarem e festejar, mesmo que depois ao longo do ano sintam prazer em atacar a sua semelhante. Deveria ser um dia para que cada mulher pudesse fazer valer os seus direitos, soubesse o verdadeiro significado de solidariedade e refletisse sobre o seu papel na sociedade e enquanto agende de educação das gerações mais novas.

Sim, acho que a violência doméstica/ conjugal acontece porque não há educação para a cidadania, para o respeito ao outro e, acima de tudo, há uma enorme falta de empatia para com qualquer outro ser vivo, humano ou animal.

Que em cada dia do ano, possamos celebrar os direitos conquistados não deixando de lutar por aqueles que ainda se encontram esquecidos nos meandros de uma sociedade machista. Que todos os dias sejam transmitidos valores, por homens e por mulheres, que dignifiquem a mulher e que condenem qualquer ato de violência. Que homens e mulheres partilhem responsabilidades, direitos e deveres. Que homens e mulheres se respeitem. Que desde cedo as crianças aprendam a preservar a sua intimidade e a sua integridade física e emocional. Que conheçam o verdadeiro valor de um "não", que digam "sim" convicto e autoconfiante e que jamais tenham medo de dizer "basta". 

quarta-feira, 6 de março de 2019

Opinião | "O Bom Inverno" de João Tordo

O Bom Inverno
Classificação: 2 Estrelas

O Bom Inverno foi uma leitura que não me fez sentido. Apesar de ter compreendido a história e eu não consegui perceber o intuito da história. 
Talvez seja eu que espere que as histórias que leio tenham um propósito, que me conduzam ao longo de um enredo coerente, com personagens que se afigurem como reais e que eu possa entender qual ou quais os objetivos associados a tudo o que se vai desenrolando com a evolução da narrativa. No fundo, procuro enredos coesos e consistentes e que se consigam materializar na minha mente. Este livro esteve um pouco longe de me oferecer isso. Não consegui entender o porquê de grande parte dos acontecimentos, não senti coerência, não consegui perceber o interior daquelas personagens, as suas motivações e os seus reais interesses.

A primeira parte do livro é bastante aborrecida. O narrador é um escritor com um ego demasiado intenso, que não diminui com o seu estado depressivo. Foi uma fase do livro muito chata para mim, onde me irritei com o narrador, com o seu discurso derrotista e com as relações que ele foi criando.

Numa segunda parte, o registo da narrativa muda de forma substancial. Surgem novas personagens que deveriam ser fonte de mistério, mas que, do meu ponto de vista, trazem uma carga misteriosa fraca pois foram  mal explorados pelo escritor.
Apesar de estar curiosa por saber como tudo iria acabar, foi uma desilusão não conseguir encaixar na minha mente uma explicação mais ou menos lógica que me permitisse perceber o comportamento de algumas personagens e as suas motivações. Foi tudo tão confuso e tão pouco esclarecido que me senti grande parte do livro entre o desespero pela leitura estar a ser penosa e a curiosidade em saber como tudo iria culminar. 

Dadas as opiniões positivas que vi relativamente às obras deste escritor português, não me vou deixar marcar por esta experiência menos positiva. Tentarei ler outro livro para, assim, construir uma opinião mais sólida em relação ao estilo do autor, às suas histórias e à sua escrita. Por isso, deste lado, aceitam-se sugestões. 

segunda-feira, 4 de março de 2019

Por detrás da tela | "The Light Between Oceans" (2016)


Classificação: 9/10 Estrelas

Queria ter lido primeiro o livro e só depois ver a sua adaptação. Porém, depois daquele entusiasmo inicial que me levou a comprar o livro, a minha vontade de o ler diminui. Consequentemente, fui adiando a visualização do filme. 

No final do filme o pensamento que martelou no meu cérebro foi Porque que é que ainda não leste este livro. Eu adorei o filme. Tenho a certeza que será daqueles filmes que me ficará gravado na memória. A carga dramática que acompanha as personagens principais é tão intensa que me deixou colada ao ecrã do início ao fim do filme. 

A história central deste filme é dedicada a um faroleiro e à sua esposa que vivem isolados numa ilha perdida no oceano. O lugar da ação onde decorre maior parte do filme ofereceu cenários fabulosos e até sensoriais (as ondas do mar, o vento que agitava a vegetação) que fez com que me sentisse ali. A sensação de isolamento social e emocional são aspetos igualmente bem presentes e caracterizados nas cenas do filme. Para complementar todas estas sensações, as cenas são acompanhadas por uma banda sonora com a qualidade inquestionável a que Alexander Desplat já me habituou.

As interpretações são muito genuínas. Alice Vikander não desiludiu. Cada vez mais admiro o seu trabalho. Neste filme em particular o seu desempenho como Isabel foi soberbo. O seu desespero, a sua infelicidade, a forma como lutou com os seus dilemas morais e a forma como lidou com o seu sofrimentos surgiram de interpretações muito realistas e emotivas. Eu senti o desespero dela em cada momento em que se via obrigada a lidar com os seus problemas e a forma angustiada como por vezes tinha de tomar decisões difíceis. 

Para equilibrar este desespero mais visceral e muito presente nas expressões faciais  corporais de Isabel e alguma histeria emocional temos o Michael Fassbender no papel de Tom, o faroleiro e marido de Isabel. É um homem calado, com muitos pensamentos interiores e com dores invisíveis deixadas pela guerra. É um homem que ama imenso a sua esposa, mas não se deixa vergas pela sua consciência moral, aspeto que coloca acima de tudo. A forma como ele lidou com o sentimento de culpa e com a ansiedade revelam o quanto a moralidade e opção por comportamentos corretos modelam a vida e as ações deste homem. Aqui a interpretação fez toda a diferença. Numa personagem mais introvertida, menos expansiva nas relações com os outros precisa de um ator capaz de passar emoções e sentimentos através das suas ações e das expressões que vão preenchendo as diferentes cenas.

E assim a minha vontade de ler o livro renasceu. Só espero que o facto de conhecer a história através do filme não estrague o prazer e a minha entrega à leitura do livro.