quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Opinião | "Hotel Sunrise" de Victoria Hislop

Hotel Sunrise by Victoria Hislop
Classificação: 3 Estrelas

Comecei esta leitura com uma enorme vontade de desbravar intensamente aquelas páginas. Os livros anteriores que li de Victoria Hislop deixaram boas recordações e estava curiosa para ver o que este livro reservava. 
Longe de ser um leitura compulsiva, Hotel Sunrise convida a uma leitura mais lenta e mais atenta. O início foi um pouco confuso para mim. Estava a custar-me imenso envolver-me com a história, estava com dificuldades em compreender e assimilar o contexto histórico a que o livro reportava e não me estava a sentir muito cativada com o conteúdo daquelas páginas.

Perante estas dificuldades a leitura avançou devagar e de forma pausada, numa tentativa de amar a história. Paixão, já não iria acontecer, mas o amor poderia nascer da relação com aquelas palavras. E o amor apareceu. Não foi intenso, não foi fulminante e não me arrebatou tanto como aconteceu nos outros livros. Foi um amor confortável e aconchegante e que me levou a pesquisar sobre Famagusta. 

Famagusta é a cidade onde grande parte da ação narrativa se desenrola. É uma cidade Cipriota, muito relacionada com o turismo. A descrição da cidade é maravilhosa e dá vontade de mergulhar os pés naquela água. Associa a esta cidade temos o Hotel de luxo Sunrise, os seus proprietários Aphroditi e Savvas e, dos vários empregados destacam-se elementos de duas famílias com origem distintas. Os cipriotas turcos e os cipriotas gregos.

Eu tinha um desconhecimento total acerca da história do Chipre e penso que isso dificultou um pouco a minha compreensão inicial. Apesar de as coisas se irem clarificando à medida que a narrativa avança, ainda ficaram resquícios de dúvidas e coisas por esclarecer. Claro tudo porque não sei nada acerca das origens deste pais e em como ele foi construído.

Conseguimos perceber as rivalidades, que são mais alimentadas pelo políticos do que pelos habitantes (como deve ser na maioria dos casos) e vamos acompanho as vidas pacatas das personagens até que a guerra se instala. E é a partir daqui que o livro ganha outra dimensão para mim. Foi aqui que o amor nasceu. Passei a perceber melhor as personagens, apesar de terem ficado lacunas na caracterização de Afrodite de Savvas. São duas personagens importantes, mas que são pouco desenvolvidas. Aphroditi é uma mulher que vai aprender a confiar nos seus instintos da pior maneira possível. Tive pena de ela e Savvas terem sido um pouco desprezados no fim. Parece que a autora os queria despachar e não nos deixou grandes pormenores.

É interessante ler sobre as movimentações de guerra e sobre as estratégias de sobrevivências das pessoas. De que forma a nossa personalidade se modifica só para garantir a nossa sobrevivência e há aqueles que apenas a tentam esconder para que depois de se revele da pior maneira. 

Apesar de ter gostado do livro reconheço que ele poderá não ser do agrado de todos os leitores. O início um pouco lento, a falta de conhecimento em relação ao contexto em que a história se desenrola e as personagens pouco desenvolvidas poderão levar alguns leitores a desistir, o que é uma pena. Insistiam um pouco para descobrirem o outro lado da narrativa, um lado que nos prende e nos deixa curiosos. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Por detrás da tela | "Beauty and the Beast" (2017)

Classificação: 9 Estrelas

Já há muito tempo que queria ver este filme. Gosto da magia que o envolve e esperava encontrar a mesma banda sonora do filme de animação. 
O filme superou as minhas expetativas. Foi bom encontrar toda a magia do castelo, derreti-me com as músicas que pontuavam as cenas nos momentos chave, fiquei encantada com o monstro... Foi maravilhoso sentir toda esta envolvência especial que só um filme com uma história intemporal consegue transmitir.

É um filme que em termos de imagem e caracterização cénica está muito, muito bem conseguido. A minha televisão é grande, mas ver este filme numa tela de cinema deve ser qualquer coisa de especial. 
A banda sonora não desiludiu. Foi tão refrescante ouvir as músicas que tantas vezes gosto de ouvir e que fazem parte do meu imaginário. 

Gostei da interpretação da Emma Watson, porém acho que a Anne Hathaway ficaria bem melhor no papel de Belle. Talvez o meu gosto pessoal em relação à Anne Hathaway me leve a pensar desta forma. 

O final deixou aquele leve sensação de insatisfação. Já tinha sentido o mesmo com o filme de animação, mas estava à espera que aqui houvesse algum diálogo, algo que sedimentase mais o amor entre eles... Queria mais, mas talvez isso quebrasse um pouco da magia que o filme quer passar. 

Acho que este é um daqueles filmes intemporais. Um filme para ser visto ao longo das diferentes etapas de crescimento. Eu vou querer rever só para sentir mais um pouco da sua magia.

domingo, 12 de agosto de 2018

Palavras Memoráveis

As coisas que se partem - sejam ossos, corações ou promessas - podem voltar a ficar juntas, mas nunca mais ficarão inteiros.
Jodi Picoult, Frágil

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Português no Masculino | Agosto

Para este mês de Agosto escolhi um autor português que não é muito lido pela comunidade literária, pois ele escreve livros de cariz mais específico e que poderá não ser do interesse da maioria das pessoas. 

Assim, o escolhido foi: Daniel Sampaio

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Já li alguns livros dele e gosto imenso. Apesar de serem livros com temáticas ligadas aos adolescentes, à psicologia e à psiquiatria são livros com mensagens extremamente atuais e que podem ser muito úteis para os pais. 

O livro que irei ler é: Lavrar o Mar: Um novo olhar sobre o relacionamento entre pais e filhos.

Lavrar o Mar - Um Novo Olhar Sobre o Relacionamento Entre Pais e Filhos

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Projeto Conjunto | Empréstimo Surpresa [Livro Recebido]


E num dia de calor tórrido, chega pelo correio daquelas surpresas que são uma verdadeira onda de frescura. Bem... foi o dia em que me chegou mais um livro da Denise. Qual foi ele?

Ao fechar a porta
B. A. Paris

A Denise fala tão bem deste livro que estou muito curiosa para o ler e descobrir o que de bom guardam estas páginas. 
É um livro muito bem classificado no Goodreads, por isso espero uma boa leitura. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Resumo do Mês | Julho

Ler livros é como fazer um passeio por diversas paragens. Há locais que gostamos, locais que nos deixam um sentimento especial, passeios que mais tarde nem iremos recordar e passeios que, de certeza, mais tarde iremos querer repetir. Para quem lê com alguma frequência, num único mês pode experimentar todos os tipos de "passeio" e mais algum. 
Então, como foram os "meus passeios" durante o mês de Julho? Não foram muitos, mas foram todos experiências diferentes. 
Consegui dar um salto a França e mexer com as minhas memórias familiares (Longe do meu coração - Júlio Magalhães). Queria ter sentido mais deste passeio, queria que me desse mais emoção. As personagens e os locais não viverão em mim durante muito tempo. Em seguir quis pisar terreno perigoso. Queria um passeio com emoção e com imagens que me impressionam e consegui-o (Um por um - Chris Carter). Página a página cada vez me ia impressionando mais com as descrições gráficas que me inundaram a mente e, consequentemente, pelas sensações algo nojentas que ia provocando. Foi passeio bom de tão duro e sangrento que foi. Mas precisava de um passeio para lavar a mente e nada melhor do que passeios à beira-mar, falésias, flores perfumadas, sons de paz, amor e mistério (As calhoun - Nora Roberts). Limpei a mente, abri o coração e deixei que o meu pensamento fluísse, livre e sempre pressa de chegar ao fim. Eram histórias para saborear lentamente, para que as imagens ficassem em mim. Ainda tive tempo de terminar um passeio algo turbulento que já se arrastava há alguns meses. Ficaram sensações agridoces, pois tive bons momentos e momentos mais chatos (Felicidade Clandestina - Clarice Lispector). Pouco vai ficar deste passeio mais longo,  mas resta a hipótese de descobrir que outras paisagens Clarice Lispecto me poderá oferecer. 

domingo, 5 de agosto de 2018

Palavras Memoráveis

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As pessoas querem sempre saber como é, por isso vou dizer: o primeiro corte arde e depois o coração fica acelerado quando vemos o sangue, porque sabemos que fizemos algo que não deveríamos mas conseguimos escapar imprudentemente. Depois entramos numa espécie de transe, porque é realmente estonteante - aquela linha de um vermelho vivo, como uma auto-estrada num mapa que queremos percorrer para ver aonde conduz. E - meu Deus - a doce libertação, é a melhor forma que tenho de descrever, como um balão preso à mão de uma criança que solta e flutua em direção ao céu. Sabemos que aquele balão está a pensar, "Ah, afinal não te pertenço"; e ao mesmo tempo "Farão ideia de como é bela a vista daqui de cima?" E depois o balão lembra-se, depois de estar lá em cima, que tem um medo terrível das alturas.
Jodi Picoult, Frágil

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Opinião | "As Calhoun" de Nora Roberts

As Calhoun (Calhouns # 1, 2, 3 & 4)
Classificação: 3 Estrelas

Num só livro conseguimos ter quatro histórias que se encaixam e nos oferecem momentos descontraídos. Não foi dos melhores livros que li da autora, porém foi uma leitura leve, descontraída e que ajudou a que a minha mente desligasse dos problemas e do stress do dia a dia. 
No geral tem descrições do espaço muito boas, que deixam aquela pontinha de inveja por não podemos saltar diretamente para aqueles penhascos, ouvir as gaivotas e sentir o aroma do mar e das flores dos jardins que povoam aqueles espaços.  

(Escrevi uma opinião para cada livro da série que integra este livro. Foram escritas à media que ia lendo).

Cortejando Catherine - 3 Estrelas
Este é a história que inaugura o livro. Ao longo da história vamos acompanhando uma narrativa no presente e outra no passado. Infelizmente tem poucas páginas o que impede que as duas histórias cresçam de forma equitativa e que ganhem a intensidade necessária para me fazer vibrar mais com as personagens e com os acontecimentos. Comparativamente a outras obras da autora que já li, este parece ser um livro mais leve e ligeiro. 
Integrando um série é esperado que a narrativa vá crescendo ao longo da história. 

Um homem para Amanda - 3 Estrelas
Tal como senti com a história anterior, esta peca por tudo acontecer demasiado depressa. É tudo muito instantâneo entre as personagens e os acontecimentos precipitam-se. Não há espaço para o amor crescer e a relação se intensificar.
Tal como aconteceu com Catherine e Trent, Amanda e Sloan tiveram uma atração imediata, pincelada por toques místicos. Estavam destinados um ao outro e dá a sensação que bastou isso para caírem nos braços um do outro.   
Apesar desta minha pequena insatisfação, gostei ligeiramente mais do que o anterior e gostei dos momentos divertidos que vão existindo. Apreciei os pequenos relances de mistério e o meu fascínio pela história do passado aumentou. A história desta Bianca daria um bom livro.

Pelo amor de Lilah - 4 Estrelas
Até agora esta foi a história que mais gostei. Talvez se deva ao facto de a história do passado ter tido mais expressão e de se terem feitos avanços acerca da vida de Bianca. Desta vez, também fiquei mais convencida relativamente ao personagem masculino, Max. Achei-o mais interessante comparativamente aos personagens masculinos anteriores. Max trouxe um colorido diferente à história, mostra-nos outro tipo de abordagem ao amor (apesar de também ter aquela característica particular de ter sido instantânea).
Lilah é a mais mística das irmãs, mas tem a mesma relação parva com os homens. Estas irmãs parecem bipolares. Querem afirmar a sua independência e mostrar que não precisam de ninguém para as defender, mas basta um pouco de romantismo e charme por parte dos homens para elas se derreterem todas.
Cada vez mais o meu interesse cresce relativamente a Bianca, Christian e Fergus. Estes antepassados da família Calhoun são muito interessantes, cheios de mistérios e com uma história que merecia um livro só para eles. 

A rendição de Suzanna - 3 Estrelas
Este foi de todas as histórias aquela que estava a começar melhor. Toda eu me empolguei quando vi um Holt a não se derreter ao aparecimento de uma Calhoun... Como foi fácil enganar-me. É que meia dúzia de frases à frente, este Holt já só pensava em como seria perder-se num beijo e no corpo da Suzanna. Aqui acabou por não parecer assim tão estranho pois eles já se conheciam da adolescência.
Nesta história manteve-se o mesmo registo das anteriores: mulheres fortes que dizem querer uma coisa, mas mostram coisas diferentes e querem coisas diferentes e homens completamente rendidos à beleza ofuscante destas mulheres. Vale pela leveza da história, pelas paisagens e pelas expressões sensitivas que estão presentes neste livro, com mais destaque nestas duas últimas.
A história de Bianca foi concluída e adorei. O livro vale muito por esta história e pela forma como tudo é desvendado e encaixado no presente.

Penso que está será uma boa leitura para as vossas férias.

Nota: Este livro foi-me cedido pela editora em troca de uma opinião sincera. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Top 5 Wednesday | Livros que gostaria de reler

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Desta vez o top é dedicado a livros que gostaríamos de reler. Não tenho por hábito reler livros. Já o fiz no passado, quando tinha poucas possibilidades de aceder a livros. Atualmente esse hábito ficou esquecido, mas há um conjunto de livros que quero reler. 
Aqui ficam cinco desses livros...

1 | O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry

Li este livro quando tinha 15 anos. Da altura ficou a beleza dos sentimentos que transparecem da história. Tenho esta versão para ler e estou muito curiosa por descobrir que sensações me desperta. 

2 | Os Maias de Eça de Quierós
Os Maias
O livro que tanto tem dado que falar. Li-o no 11º ano e adorei. É claro que ter um professor de Português apaixonado pela literatura dá um toque especial ao livro e as reflexões que dele nascem, mas gostei imenso de ler e quero repetir.

3 | O grande amor da minha vida de Paullina Simons
O Grande Amor da Minha Vida (O Cavaleiro de Bronze, #1)

Este livro fez com que o meu coração palpitasse de uma forma muito especial. É um livro que quero reler quando for mais velha e esperar sentir o mesmo que senti aquando da primeira leitura. 

4 | Segue o coração: não olhes para trás de Lesley Pearse
Segue o Coração - Não Olhes Para Trás

Foi das leituras mais intensas que já tive na vida. Sim, é uma história extremamente dramática, mas tocou o meu coração de uma forma muito especial. Já não me lembro de muitos pormenores da história, por isso quero relê-lo. 

5 | Aparição de Vergílio Ferreira

Aparição

Não conheço ninguém que tenha gostado deste livro. Sinto-me uma ave rara sempre que digo que gostei muito desta leitura no secundário (mais uma vez acredito que o professor fez a diferença). Então a minha vontade de reler está numa fase de incerteza. Se por uma lado quero revisitar a história, por outro tenho medo que o encanto que ficou se quebre e passe a gostar menos do livro.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Quem chegou | Julho

Este mês foi parado em termos de livros que chegaram cá a casa.
Bem, resta-me o pensamento de que mais vale poucos e bons. E foi isso mesmo que aconteceu este mês...

Oferta Editora
Um por Um (Robert Hunter, #5)

Este foi o único livro a chegar cá a casa durante o mês de Julho. Foi uma excelente leitura.