sábado, 9 de novembro de 2019

Mudanças...


Há precisamente sete anos, a 9 de novembro de 2012, tomei uma decisão que influenciou o meu percurso ao longo destes últimos anos. 

Hoje, de forma simbólica, vou assinalar o dia com outra mudança. 

Já há uns meses que andava a "namorar" a plataforma da Sapo. Estou um pouco cansada do Blogger e, depois de iniciar o desafio de escrita dos pássaros fiquei ainda com mais vontade de de explorar uma plataforma que é portuguesa. 

 Agora podem encontrar-me aqui: https://pordetrasdaspalavras.blogs.sapo.pt/
Não irei "esconder" este blog porque existem opiniões no Goodreads com o link de opinião completa para este blog. Seria para mim impossível alterar tudo. 

Ficarei por lá à vossa espera.
Desde já o meu muito obrigada a quem ao longo destes anos me foi fazendo uma visita, foi lendo os meus textos e as minhas opiniões e que comentou o que por aqui se passa. 

Do outro lado poderão continuar a encontrar tudo o que aqui está e esperar por novas publicações e novas ideias. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros # 9 | (IR)Realidade

imagem retirada daqui

Tema 9: Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Acordo com o barulho suave das ondas a desfazerem-se na areia. Não consigo abrir os olhos. As pálpebras pesam-me. Permaneço de olhos fechados e acompanho o movimento das ondas a varrer a areia. Para cima, para baixo, para cima para baixo… Ah! E este sol que me afaga o corpo com ternura e que o aquece!! Tão quente! 

Tento por o meu cérebro a trabalhar… Onde estou? Espera aí! PRAIA? SOL? ONDAS? Como é que vim aqui parar…. 

Uma sensação de pânico alastra pelo meu corpo. O medo ativa os meus sentidos e abro logo os olhos. Deparo-me com um sítio muito bonito. Olho para o meu corpo e… ups… Não tenho nada vestido. Que vergonha! Tento tapar todas as partes necessárias, mas sinto-me uma contorcionista a tentar fazer com que as mãos cheguem para todas as minhas zonas que deveriam estar ocultas. 

Por momentos esqueço a confusão. A minha prioridade é arranjar forma de me colocar apresentável. E se aparece alguém? Nem quero imaginar! Começo a explorar a ilha e recolho algumas folhas de diferentes tamanhos. Aproveitando as nervuras de uma folha mais resistente consigo unir folhas suficientes para um biquíni super ecológico e feito com produtos naturais e biodegradáveis. 

Agora tenho de resolver toda a agitação mental que povoa a minha cabeça. Primeiro tento lembrar-me de onde estava antes de cá vir parar… Mas nenhuma memória aparece! Começo a gritar por socorro. 

– Eiiiiiiiiii…. Está aí alguém? Alguém me ouve? 

Bem… os índios usavam o fumo para comunicar! É isso, tenho de fazer uma fogueira!! Começo à procura de material e…

– Alice? Alice? 

Abro os olhos, confusa. Puff… Afinal, era um sonho! Bem melhor do que esta realidade! Vejo a enfermeira Dulce que olha para mim com uma expressão estranha.

– Desculpa, Alice, mas precisam de ti na urgência. Acabou de chegar um ferido grave. 

Continuo a não gostar daquela expressão e arrisco a pergunta: − Passou-se alguma coisa Dulce? 

– Há quantos dias fazes noite? – o sorriso espalhou-se pelo rosto do meu braço direito no hospital. 

− Há muitos! – encolho os ombros e continuo. – Sabes que há falta de médicos na urgência.

– Pois há… mas precisas de descansar, estavas a ter um sono um pouco… agitado – hesitou, sem saber se devia continuar. – Gritaste e estavas a tapar as mamas e a zona genital com as mãos…. Precisas de dormir. 

Um tom rosado tinge a minha cara.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sabores com história # 1| Bolo de Chocolate

Hoje decidi arrancar com uma rubrica nova aqui no blog. As leituras andam más e eu não quero deixar esmorecer estes espaço, por isso tenho de me reinventar. Neste processo de produção de novos conteúdos tenho tido algumas ideias. Hoje inicio uma que me permitirá partilhar uma outra paixão minha: cozinhar doces. Não sou pasteleira (daí não ter terminado a frase anterior com pastelaria) sou apenas uma pessoa que gosta de fazer bolos e bolachas. Sou, também, uma pessoa que associa sabores a histórias, acontecimentos de vida ou memórias. Portanto venho partilhar as minhas receitas com vocês e, ao mesmo tempo, juntar-lhe histórias, reflexões ou testemunhos. Os créditos desta ideia pertencem a uma bloguer que gosto muito de acompanhar: a Joana do blog "Palavras que enchem a barriga". Tem receitas fantásticas e identifico imenso com coisas que ela escreve. Ela partilha as suas receitas acompanhadas de uma pequena história e eu vou usar a ideia dela.

Para primeiro post da rubrica quero partilhar com vocês a receita de um bolo de chocolate. 
Andei meses à procura e a tentar receitas de um bolo de chocolate que fosse fofo e húmido. Queria algo um sabor intenso a chocolate. E consegui aprimorar a receita até encontrar aquele bolo que me enchesse as medidas. 


Repeti a receita até à exaustão. Conquistou o palato de muitas das pessoas que o provaram, mas houve uma vez em que as coisas correram mal e desde aí só repeti a receita uma vez e não comi. 
Em 2014 houve um período em que andava bastante mal. Vomitava, tinha dores abdominais horríveis, perdi peso de forma inexplicável... Um dos piores episódio foi quando comi este bolo. Tive uma noite horrível de dores, enjoo e sem dormir. Acabei por ter de ir ao médico, fiz exames e recebi o diagnóstico: tinha a vesícula com pedra e teria de ser operada.   

A partir daí foi um reajustar da minha dieta. Fiz uma lista de alimentos que me deixavam mal e deixei de os comer. Dentro dessa lista estava o chocolate. Daí aquele dia em que quase morri (um bocadinho de drama) depois de comer o bolo. 

Tenho saudades de voltar a sentir o sabor deste bolo. Saudades da intensidade do sabor a chocolate que se sente ao comer uma fatia deste bolo. Porém, foi como se tivesse desenvolvido uma espécie de aversão. A última vez que o fiz foi há dois anos, num final de ano letivo, para uma despedida. Eu não consegui comer. Talvez se deixar passar mais tempo consiga voltar a comer.

Fica aqui a receita para quem quiser experimentar. Se o fizerem, por favor partilhem como foi fazer esta receita e o que sentiram ao saborear este bolo. 
Uma pequena nota: eu uso pouco açúcar nas minhas receitas, por isso, caso sintam necessidade, adaptem. 


Ingredientes
  • 150 g de açúcar 
  • 200 g de farinha sem fermento
  • 1 colher de chá de fermento
  • 125 g de chocolate em pó (costumo usar da Pantagruel)
  • 5 ovos
  • 2 dl de leite 
  • 1 dl de óleo
Preparação 
Super prática e fácil. Primeiro misturam todos os ingredientes sólidos e depois misturam os líquidos. Levei ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 45 minutos. Mas o tempo de cozedura é variável tendo em conta os fornos, por isso o melhor é irem controlando e utilizarem o palito que não saí totalmente seco. 

Fico à espera das vossas experiências. 


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Outubro | Quem chegou?

Outubro foi péssimo em leituras. À pouca disponibilidade mental e temporal para ler juntou-se uma gripe que me atirou para a cama. Li muito, muito pouco. Tenho-me sentido algo cansada e absorvida com tudo o que tenho para fazer e isso tem prejudicado a minha relação com os livros e com a leitura. Ando ansiosa e impaciente e nem a leitura me acalma e estabiliza.

Como li pouco, também foram poucos os livros que chegaram.

Ofertas editoras
Desde já tenho que agradecer à ASA e à Topseller por me disponibilizarem dois exemplares de livros que, de certeza, serão leituras fenomenais. No início do mês recebi "Até Sempre, Meu Amor" de Lesley Pearse e "A Noiva do Bastardo" de Sarah MacLean. Tenho esperança de que sejam leituras capazes de me arrancar desta letargia literária.

Até sempre, meu amor A Noiva do Bastardo (The Bareknuckle Bastards, #1)

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros # 8 | Escreve uma carta para a criança que foste

Tema 8: Escreve uma carta para a criança que foste

Braga, 1 de Novembro de 2019

Podia escrever-te muita. Podia contar-te sobre aquilo que a criança que fui não fez e que hoje me deixa uma adulta mais vulnerável e com (muitas) falhas. Podia avisar-te sobre como fazer escolhas mais acertadas para que hoje em dia as dificuldades não fossem tantas. Tanta coisa que poderia escrever, mas não quero. E sabes porquê? Porque, apesar de todas as dificuldades atuais eu gosto da pessoa em que me tornei. Há sempre aspetos a melhorar, há sempre espaço para evoluir. Mas sabes, vais aprender que é essa a magia da vida, ou seja, a nossa capacidade de reinventar a nossa vida e as nossas forças. 

Vais aprender muito, vais chorar e sorrir, vais arrepender-te, mas tudo isso faz parte da vida. Tudo isto vai ser um enorme processo de construção de uma pessoa que nunca estará acabada. 

Serão os momentos que irás colecionar que te tornarão mais forte e mais sábia. E, em cada momento de tristeza, em cada momento de escolha irás aprender e irás retirar alguma coisa que te tornará em alguém único. E isso é o mais importante a reter. 

Acima de tudo, vive! Sem medo e sem pressa de chegar.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

TAG | The Fall Bucket List Book Tag




Hoje quero partilhar com vocês as minhas respostas a uma TAG que vi no blog da Daniela, "A Estante da Daniela".
A TAG foi criada pela Tiffany, uma blogger literária que vive nos EUA e adora o outono.

Ficam aqui as minhas respostas...

Deixa-me Odiar-te



"Deixa-me odiar-te" de Anna Premoli é um livro com uma história muito divertida. Apesar do seu tom previsível eu diverti-me imenso a lê-lo. Um dos livros que mais me fez rir e foi  uma leitura muito boa do meu verão. 

Raparigas Como Nós






"Raparigas como nós" de Helena Magalhães é um livro que está a apaixonar a comunidade literária portuguesa. Tenho-me cruzado como imensas publicações e opiniões a este livro. Eu ainda não o li.E, se por um lado tenho imensa curiosidade em ler e descobrir esta história, por outro lado tenho receio que ele não preencha todos os meus requisitos de uma boa leitura.






A Minha Avó Pede Desculpa




"A minha avó pede desculpa" de Fredrik Backman foi um livro que não me conquistou, mas onde encontrei boas amizades e com apontamentos divertidos. 








Verão em Edenbrooke (Edenbrooke, #1)


"Verão em Edenbrooke" de Julianne Donaldson é romance muito querido. É um livro que mostra que uma bonita história de amor pode ser desenvolvida de uma forma simples, cheia de sentimento e sem necessidade de recorrer a cenas eróticas. Eu fiquei encantada com esta história e pela qual guardo um grande carinho.


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Por detrás da tela | "Angels Fall" (2007)

Classificação: 6/10 Estrelas

"Angels Fall" é um filme baseado no livro "Onde Caem os Anjos" de Nora Roberts. É uma adaptação cinematográfica que está muito fiel ao livro, mas a minha preferência recai sob o livro. 
Apesar de a história do filme ser uma cópia perfeito do livro, a forma como a história foi interpretada e os actores que foram escolhidos foram aspetos que não me deixaram convencida. 

O filme aborda uma temática muito interessante: o stress pós-traumático. 
Reese Gilmore é uma chef de cozinha que sofreu um duro atentando no seu local de trabalho. Esse acontecimento mudou a sua vida e prejudicou a sua saúde mental, passando a sofrer de stress pós-traumático. A história avança muito em função deste problema e passa uma mensagem muito importante relativamente  à sintomatologia, a relação com a medicação e ao sofrimento psicológico que condiciona tantas áreas da vida.

É daqueles filmes bons para uma tarde pachorrenta de domingo. Um filme onde há um bom equilíbrio entre drama e descontração. Há drama com romance em doses suficientes para preencher uma tarde onde o nosso cérebro não pede nada de muito exigente. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros # 7 | Uma cliente especial

Tema 7: A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abóbora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar

D. Constança era cliente habitual. Vinha sempre cheia de ares de superioridade, capaz de atacar qualquer funcionária que, muito gentilmente, a tentasse atender e responder às suas necessidades de alta nobreza. 

Hoje a sorte calhou à Lina. Uma funcionária competente e atenciosa, mas capaz de colocar um cliente desagradável no seu lugar. E ela já tinha esgotado a sua cota de paciência para com a D. Constança. 

Eu estava atrás do balcão. Como observadora e com a sensação de que aquilo iria correr mal… muito mal… 

– Menina, menina… – D. Constança, na sua voz esganiçada, mostrava que precisava de ajuda. 

Lina lançou-me aquele olhar revirado por cima do ombro. Eu ofereci-lhe a minha melhor expressão facial do “coragem, tem mesmo que ser”. 

– Olá D. Constança, em que posso ajudá-la! – Lina ofereceu-lhe o seu melhor sorriso. 

– Onde estão aquelas máscaras capilares de extrato de jasmim? 

– Esgotaram ­ – respondeu, Lina! 

– Como é que esgotaram? Como cliente habitual eu mereço um tratamento melhor. Vocês têm de guardar sempre os produtos que compro com frequência. 

– Guardado?! A senhora sabe que não podemos guardar os produtos que estão em promoção. 

– Sei?! Vocês é que já deviam saber que aquelas máscaras são importantes para mim. O meu cabelo só sobrevive com aquelas máscaras. Quando é que terão mais destas para venda aqui na loja? Quantas posso reservar? 

D. Constança não parava com os seus queixumes e Lina começava a ficar impaciente... 

– D. Constança, e se experimentasse outra máscara? O nosso patrão agora quer apresentemos aos clientes um novo tipo de máscara. Milagrosa para cabelos como os seus. 

Ao observar aquela cena comecei a ficar impaciente e intrigada. O patrão não nos tinha dito nada. Vi Lina a ir para o armazém. Espreitei e vi-a a remexer nas compras que tinha feito no supermercado antes de entrar para o trabalho. Qual não é o meu espanto quando a vejo com um frasco de doce de abóbora. 

– Aqui tem D. Constança! É um produto capilar tão especial que ainda o temos guardado no armazém só para as nossas clientes mais exigentes. – disse Lina, enquanto entregava o frasco a uma D. Constança duvidosa. – Vejo que está a olhar para o rótulo! Só para nós… O produto é tão bom e ainda há em tão pouca quantidade que tivemos de o colocar em frascos de compota de abóbora. Olhe, é oferta da casa. Leve-o. 

E D. Constança, mesmo com alguma desconfiança, levou.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Opinião | "Espero por ti este inverno" de Luanne Rice

Espero por ti este Inverno
Classificação: 4 Estrelas

Já há algum tempo que não pegava num livro de Luanne Rice. Nunca fui muito conquistada pelos livros desta autora. Sempre senti que faltava à história algo que tivesse a capacidade de mexer com as minhas emoções e que, de alguma forma, se tornasse num livro memorável. 
Espero por ti este inverno é, até ao momento, o livro da escritora que mais me encantou. A história entrelaça aspetos que me cativaram a atenção. Assim, drama, romance, proteção do ambiente e arte unem-se para criar uma história sobre pessoas, mudança e laços familiares. 

Há um conjunto de personagens muito diversificado o que acho ser um ponto extremamente positivo do livro pois possibilita que pessoas de diferentes faixas etárias possam sentir pontos comuns com o livro. Particularmente o grupo de personagens adolescentes tem aqui um papel muito relevante e acho que poderia ser interessante para os leitores desta faixa etária. O primeiro amor, os ideais ambientais, o divórcio, as relações de amizade... são temas que muitas vezes fazem parte do quotidiano de jovens, muitas vezes são geradores de angústias e o livro poderá ser uma boa forma de iniciar um diálogo com adultos e pensar sobre os acontecimentos retratados. 

O romance mais maduro entre de Neve fez um bonito contraste com o romance mais inocente da sua filha Mickey. A autora conseguiu mostrar duas faces de possíveis romances que enriqueceram a história e mostrou que o amor poderá ser bonito qualquer que seja a fase da vida e as circunstância em que ele aparece. Mostra, também, que o amor é um forte elo de ligação entre as pessoas e que ele poderá originar coisas muito positivas na vida das pessoas.

Foi fácil para mim compreender e perceber qualquer uma destas personagens. Até Richard, ex-marido de Neve e sempre metido em confusões, tem um lado especial que me fez compreender as suas atitudes. Ele é um exemplo literário de que o querer mudar está dentro de nós e para o qual precisamos de criar espaço e oportunidade para que as coisas mudem. É um exemplo positivo de superação e de reconhecimento dos erros que cometemos na vida. 

É um bom romance contemporâneo. Não se passa na atualidade, mas as mensagens de preservação e respeito pela natureza, pela nossa História e pelo amor e respeito que devemos manter pelos outros são sempre temas atuais e pertinentes. Um livro que aborda muitos temas que convidam a reflexão e à discussão saudável. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros # 6 | Só o amor não basta

Tema 6: Escreve uma história romântica baseada no clássico "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"

Quem lhe mandou acreditar cegamente nele? Como é que caiu tão facilmente na conversa de que o amor deles era suficiente para enfrentarem as dificuldades da vida? 

Estão juntos há cinco anos e, nos últimos dois, gastaram o pouco dinheiro que tinham em tratamentos para engravidar. Por ela, já há muito que tinham parado. Estava assustada por ver as suas poupanças a perderem-se em tratamento sem certeza de eficácia. Estava triste porque percebeu que um casal pode ser feliz sem filhos. Mas ele não partilhava da mesma opinião. Ele queria um filho a toda a força. 

– Adotamos? – propôs-lhe ela, num manhã de descrença e farta de o ouvir dissertar sobre a opinião dos outros perante a situações deles. 

– Estás louca? – Ele estava possesso. – Não percebes que um filho adotado não faz nós família aos olhos dos meus pais e dos meus amigos? Precisamos de um filho biológico. 

Ela sentou-se, apoiou a cabeça nas mãos e disse: – Este assunto está a destruir a nossa relação, está a piorar a nossa qualidade de vida, não percebes? - Ela levanta a cabeça e com os olhos cheios de água e continua, aos gritos: – EU NÃO AGUENTO MAIS! ESTOU CANSADA DOS TRATAMENTOS, CANSADA DE TRABALHAR COMO UMA DOIDA PARA SUPORTAR AS CONTAS, CANSADA DE CONTAR OS TOSTÕES PARA PODERMOS COMER! 

Ele paralisou perante a dureza destas palavras. Mas ela não percebia. Como é que ele poderia desistir de ter um filho? Simplesmente não podia deixar margem para comentários dessagráveis relativamente à sua masculinidade. 

– Se sentes isso, podemos pensar na alternativa de encontrar alguém que seja nossa barriga de aluguer! 

– Não estás mesmo bom dessa cabeça. Para mim, basta. Não dou mais para esse peditório. 

Ela levantou-se e dirigiu-se ao quarto que partilhavam. Arrumou as suas coisas e transportou-as para o carro. Antes de descer com a última mala disse-lhe: 

– Depois entro em contacto contigo para tratarmos do divórcio. Considera-te livre de fazeres o que bem entenderes. – Virou-se para abrir a porta, mas de repente lembrou-se que ainda tinham mais uma coisa a dizer-lhe. – Ah! Já me esquecia, o frigorífico estragou-se. 

Ele olhou para ela e assentiu… Ficou a vê-la a sair e a pensar naquilo que ela sempre representou para ele. E no fim, só uma coisa pairava na sua cabeça: como é que viveria sem ela?