sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros # 6 | Só o amor não basta

Tema 6: Escreve uma história romântica baseada no clássico "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"

Quem lhe mandou acreditar cegamente nele? Como é que caiu tão facilmente na conversa de que o amor deles era suficiente para enfrentarem as dificuldades da vida? 

Estão juntos há cinco anos e, nos últimos dois, gastaram o pouco dinheiro que tinham em tratamentos para engravidar. Por ela, já há muito que tinham parado. Estava assustada por ver as suas poupanças a perderem-se em tratamento sem certeza de eficácia. Estava triste porque percebeu que um casal pode ser feliz sem filhos. Mas ele não partilhava da mesma opinião. Ele queria um filho a toda a força. 

– Adotamos? – propôs-lhe ela, num manhã de descrença e farta de o ouvir dissertar sobre a opinião dos outros perante a situações deles. 

– Estás louca? – Ele estava possesso. – Não percebes que um filho adotado não faz nós família aos olhos dos meus pais e dos meus amigos? Precisamos de um filho biológico. 

Ela sentou-se, apoiou a cabeça nas mãos e disse: – Este assunto está a destruir a nossa relação, está a piorar a nossa qualidade de vida, não percebes? - Ela levanta a cabeça e com os olhos cheios de água e continua, aos gritos: – EU NÃO AGUENTO MAIS! ESTOU CANSADA DOS TRATAMENTOS, CANSADA DE TRABALHAR COMO UMA DOIDA PARA SUPORTAR AS CONTAS, CANSADA DE CONTAR OS TOSTÕES PARA PODERMOS COMER! 

Ele paralisou perante a dureza destas palavras. Mas ela não percebia. Como é que ele poderia desistir de ter um filho? Simplesmente não podia deixar margem para comentários dessagráveis relativamente à sua masculinidade. 

– Se sentes isso, podemos pensar na alternativa de encontrar alguém que seja nossa barriga de aluguer! 

– Não estás mesmo bom dessa cabeça. Para mim, basta. Não dou mais para esse peditório. 

Ela levantou-se e dirigiu-se ao quarto que partilhavam. Arrumou as suas coisas e transportou-as para o carro. Antes de descer com a última mala disse-lhe: 

– Depois entro em contacto contigo para tratarmos do divórcio. Considera-te livre de fazeres o que bem entenderes. – Virou-se para abrir a porta, mas de repente lembrou-se que ainda tinham mais uma coisa a dizer-lhe. – Ah! Já me esquecia, o frigorífico estragou-se. 

Ele olhou para ela e assentiu… Ficou a vê-la a sair e a pensar naquilo que ela sempre representou para ele. E no fim, só uma coisa pairava na sua cabeça: como é que viveria sem ela?

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Opinião | "No Escuro" de Cara Hunter (DI Adam Fawley #2)

No Escuro (DI Adam Fawley, #2)

Classificação: 5 Estrelas

Quando pego em livros de mistério/crime/thriller gosto de me sentir perdida nos meandros de uma história cheia de pontas soltas e muitas dúvidas. Nem todos os escritores conseguem isso. Acho que é preciso uma dose especial de inteligência e perspicácia para transformar uma ideia numa história alucinante que me agarre ao livro com unhas e dentes. 
A leitura do livro "Perto de Casa" permitiu-me perceber que Cara Hunter reunia bons qualidades e  a tal dose especial de inteligência e perspicácia. "No Escuro" vem solidificar a opinião que eu formulei quando li o seu primeiro livro. 

"No Escuro" é um livro inteligente e surpreendente. As minhas ideias andaram muito longe daquilo que a escritora desenvolveu de forma a ligar acontecimentos que, aparentemente, nada têm em comum. Ela confundiu-me, baralhou as minhas ideias e deixou-me rendida ao seu talento especial para criar enredos complexos e entusiasmantes. 
O talento de Cara é tão especial que ao mesmo tempo que me conduzia por uma cena de crime onde não havia ponta pode onde  lhe pegar, me apresentava o lado dramático da vida da equipa policial que estava responsável pela investigação. A forma humanizada como me apresentou as personagens ofereceu-me uma enorme sensação de realismo. Gosto muito do detetive Adam! Tem inteligência, sensibilidade e drama em doses suficientes para o tornar num homem com que facilmente nos poderíamos cruzar na rua. E isto estende-se a toda a sua equipa: a agente Everett e a sua sensibilidade especial, Gislingham a tentar equilibrar a sua vida pessoal e a ajudar o seu superior a limpar as asneiras em que se mete, Quinn e o seu talento especial para meter a "pata na poça" e Somer a lutar contra a sua auto-estima e a necessidade de se afirmar profissionalmente. Uma equipa muito complexa e muito realista.

Quando a parte criminal, o livro começa com a descoberta de uma jovem e um bebé presos numa cave... Mas acreditem, isto é apenas a ponta de um icebergue enorme e cheio de pequenos icebergues colados a ele. É fenomenal ir descobrindo os pormenores que conduzem a resolução do caso. É engraçado porque dou por mim a querer identificar culpados e, ao mesmo tempo, deleito-me com as maravilhosas artimanhas criadas por Cara. 
Tal como no livro anterior senti a preocupação da autora em incluir elementos da sociedade. Este tipo de acontecimentos apaixona a opinião pública, por isso é comum vermos notícias em jornais e na televisão e os "polícias de bancada" sempre prontos a resolver o caso nas redes sociais. Não senti uma presença tão grande destes elementos comparativamente livro anterior, mas a escritora manteve-se fiel ao seu estilo original que tanto me agradou no primeiro livro.

Para quem não leu o primeiro livro, este pode ser lido em separado. A globalidade da compreensão da história não é afetada. A única falta que poderão sentir é relativamente às personagens residentes. Apesar de neste volume a autora ter sido capaz de expor o essencial para que o leitor não se sentisse perdido, há um pequeno pormenor relativamente a Adam que só com a leitura do final do primeiro livro se é capaz de compreender o seu comportamento e as suas atitudes relativamente à sua vida pessoal. 

Esta é uma autora que irei acompanhar e recomendo a todos os amantes de livros, em especial àqueles que têm um carinho especial por thrillers, crimes e mistério.

Nota: Este livro foi-me disponibilizado pela editora em troca de uma opinião honesta.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Balanço | Book Bingo "Leituras ao Sol"

Ainda não tinha partilhado com vocês o balanço da minha participação no Book Bingo "Leituras ao Sol" promovido pela Isa, do blog/canal Jardim de Mil Histórias, e da Tita, do blog/canal O Prazer das Coisas

Cá está o meu cartão com as categorias preenchidas.



Um livro que se passa no Verão: Desaparecidas, Tess Gerritsen)
Um título que contenha as letras S-O-L: Os Loucos da Rua Mazur, João Pinto Coelho
Um livro do teu género preferido: Em nome do amor, Lesley Pearse
Um livro recomendado por booktuber, blogger, instagramer: Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago
Último livro que te ofereceram: A Costureira de Dachau, Mary Chamberlain
Um livro que levarias para a praia: Depois da meia noite, Diana Palmer
Um livro com capa em tons de azul: Deixa-me Odiar-te, Anna Premoli
Um livro de um autor que nunca leste: Pura Malícia, Jill Mansell
Um livro onde já passaste férias: O Ano da Dançarina, Carla M. Soares
Um livro de um autor que gostavas de conhecerO Menino de Cabul, Khaled Hosseini
Escolhe de olhes fechados um livro da tua estantePerfume de Jasmim, Jude Deveraux
Pede a uma pessoa que viva contigo para escolher um livro para leres: Como não morrer de forme em Portugal, Lucy Pepper
Um livro que se passe num local onde gostarias de passar fériasDevo-te a Felicidade, Sophie Kinsella

Ficaram 3 categorias por preencher. Contudo, considero que o meu balanço foi positivo e ajudou-me a recuperar de um início de ano com poucas leituras. 
Como prometido, repondo à TAG que eu e a Catarina, do blog Sede de Infinito, criamos em 2014 por altura do nosso Book Bingo.
  • Sol: qual o livro que brilhou mais nesta maratona (livro preferido) - O Ano da Dançarina, Carla M. Soares
  • Escaldão: qual o livro que te deixou cheia de arrependimentos (livro que menos gostaste) - Os Loucos da Rua Mazur, João Pinto Coelho
  • Gelado: qual o autor cuja escrita te deliciou - Khaled Hosseini
  • Bóias: qual o livro que foi custoso de ler mas que conseguiste terminar - Pura Malícia, Jill Mansell
  • Piscina: Qual foi a leitura leve e refrescante - Deixa-me Odiar-te, Anna Premoli
  • Picnic: Quais as personagens com as quais gostarias de passar tempo - Devo-te a Felicidade, Sophie Kinsella

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros # 4 | A pasta

(imagem tirada daqui)

Tema 4: A Beatriz disse que não. E agora?

Beatriz regressava a casa depois de um dia de trabalho. Cansada, decide parar na pequena padaria do costume para beber um chá e aquecer-se neste dia frio. 

Entra e escolhe a mesa mais isolada. Ao mesmo tempo que se sentava, reparou numa pasta de couro ali esquecida. Ignorou-a e sentou-se. Decidida a esquecer a pasta, fez o seu pedido e aguardou. Em minutos o seu chá chegou à mesa, mas, ali ao lado, a pasta queimava mais que a chávena de chá. 

Tentou ignorar o objeto ali esquecido, mas a curiosidade estava a ganhar terreno dento de si. Deixou-a vencer e pegou na pasta. Passou a mão pelo revelo das iniciais que estavam gravadas, LA. 

Arqueou uma sobrancelha enquanto pensava se devia ou não abrir a pasta. Abriu! Quem sabe até podia descobrir a quem pertencia e arranjar forma de lha devolver. Desapertou o laço que unia as duas partes. Começou por ver um esboço de uma ilustração das mesas e dos clientes daquela mesma padaria e, colado na parte de trás da capa, um nome e um número: 

Lourenço Alves 

956 742 323 

Bem… Afinal iria poder devolvê-la, mas não sem antes explorar um pouco o seu conteúdo. 

Desenhos de paisagens, pessoas e situações do dia-a-dia ilustravam folhas de papel branco. Ele tinha talento, muito talento! Pelo meio um desenho chamou-lhe a atenção. Pousou a pasta na mesa e segurou o desenho para o poder analisar. Ilustrava uma cliente, naquela mesma padaria, junto ao balcão a fazer o seu pedido. As feições eram-lhe familiares. Olhou bem e identificou o seu próprio rosto. Continuou a folhear os desenhos guardados na capa e encontrou mais desenhos seus. 

Uma pontada de receio atravessou-lhe a mente. Para si mesma disse, “Não, já não lhe vou ligar coisa nenhuma! O melhor é deixar a pasta no balcão.” 

Guardou tudo, terminou o seu chá e levantou-se para pagar levando a pasta consigo. 

– Quero pagar, por favor. 

– É um 1.55€ - respondeu a funcionária com um sorriso. 

– Olhe, esta pasta estava ali no banco da mesa onde me sentei. Acho que alguém se esqueceu dela – disse a Beatriz para a funcionária ao mesmo tempo que lhe entregava a pasta. 

– Obrigada! – olhou para a pasta e sorriu. – Sabe, é do meu namorado. Esteve aqui há pouco. Nunca a larga nem nunca me deixou vê-la. Acho que vou aproveitar o esquecimento dele.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Setembro | Quem Chegou?

Setembro chegou ao fim e chegou também a altura de vos mostrar os livros que chegaram à minha estante.

Oferta Editora
Gentilmente cedidos pela Porto Editora, chegaram dois livros cá a casa: "No Escuro" de Cara Hunter e "As Filhas do Capitão" de María Dueñas. Já terminei a leitura do livro "No Escuro" e é um livro imperdivel para todos aqueles que gostam de se perder num bom thriller. Um livro escrito de forma brilhante. "As Filhas do Capitão" será uma das minhas próximas leituras.

No Escuro (DI Adam Fawley, #2)   As Filhas do Capitão

Presente
Uma amiga minha anda a incentivar-me a ler em inglês. Tem sido bastante insistente, tanto que me ofereceu um livro que, segundo ela, faz o meu género. O livro é "The Wish List" de Jane Costello.

The Wish List

Compras
Vi no Instagram um campanha promocional de livros que me chamou a atenção. Eram dois livros que eu queria muito e que novos custavam cerca de 37 euros. Eu adquiri os dois por 14.40. Falo-vos dos livros "A Amiga Genial" de Elena Ferrante e "As Montanhas Ecoaram" de Khaled Hosseini.

A Amiga Genial    E as Montanhas Ecoaram

Biblioteca
Ainda tive tempo de ir à biblioteca e requisitar dois livros. "A Sibila"  de Agustina Bessa-Luís e "Desaparecido" de Susan Lewis. Este ano ando a portar-me muito mal relativamente a leituras lusas. Tenho e meses para inverter a situação.

A Sibila   Desaparecido

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Desafio de Escrita dos Pássaros #3 | Um momento marcante

Tema 3: Uma aventura/momento que te tenha marcado

O tema desta semana apela a uma escrita mais pessoal. Ao longo da vida somos presenteados por diferentes momentos que nos marcam, quer positivos quer negativos. Podia invocar aqui muitos, mas vou recordar o mais recente: o doutoramento. 

Fazer doutoramento não era um objetivo a curto prazo. Era um sonho para ser concretizado mais tarde. Mas a vida gosta de nos pregar partidas e abala com os nossos planos. Em 2012 fiquei desempregada. Fui trabalhando noutras coisas, contudo sentia-me cognitivamente pouco estimulada. Precisava de algo que me fizesse pensar e que fosse desafiante. Tanto pensei que, em 2014 decidi candidatar-me a doutoramento. Tinha algum dinheiro de reserva e pensava candidatar-me a uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia. 

Foi um percurso cheio de buracos no caminho. Caí muitas vezes ao chão, levantei-me outras tantas. Candidatei-me três vezes a bolsa, sem sucesso. Esfolei-me a trabalhar, aproveitava tudo o que me era possível para ganhar dinheiro. Desenvolvi o meu projeto de investigação ao mesmo tempo que colaborava com outros projetos, dava aulas a alunos de mestrado e ganhava outro tipo de experiência profissional. Estive longe de fazer um percurso linear, porém foi cheio de aprendizagens e onde conheci pessoas fantásticas. 

Apesar de todas as dificuldades, o dia da defesa chegou mais depressa do que aquilo que eu estava à espera. É um dia onde as emoções ficam demasiado intensas, em que sentimos que tudo poderá correr muito bem ou muito mal. No meu caso correram muito bem. Ainda com direito a lágrimas, porque a minha orientadora emocionou-se e eu não me consegui controlar. Será sempre uma pessoa que irei recordar para a vida e de quem não quero perder o contacto. Devo-lhe imensas coisas e ser-lhe-ei sempre grata por todas as oportunidades que me proporcionou. 

Um dos meus objetivos com o doutoramento era conseguir mudanças na minha vida profissional que me permitissem conquistar a minha total independência (pessoal e financeira). Até ao momento esse objetivo ainda continua por concretizar. Só passaram dois meses desde que terminei, tenho de ser um pouco mais paciente e confiar no futuro. Quero acreditar que as coisas serão diferentes e, num piscar de olhos, a minha independência será conquistada. Nem sempre é fácil manter um espírito otimista, principalmente quando penso em todo o meu percurso e nos sacrifícios implicados e das coisas que abdiquei. Mas lá chegarei.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Opinião | "Perto de Casa" de Cara Hunter (DI Adam Fawley #1)

Perto de Casa
Classificação: 4 Estrelas

"Perto de Casa"é o livro de estreia de Cara Hunter e deixa-me antever a qualidade dos próximos livros da autora. É um livro construído de forma diferente quando comparado com outros livros do género e só esse aspeto já lhe acresce um enorme valor. 

A narrativa desenrola-se em torno do desaparecimento de uma menina de 8 anos, a Daisy. A partir daqui segue a estrutura de outros livros do género. Investigações policiais, atuação da equipa forense, perícias científicas, interrogatórios, pistas que são lançadas para nos gerar confusão (ou não) e profissionais da polícia em choque perante o crime em que se vêem obrigados a trabalhar. E depois temos um elemento surpresa: a atividade paralela que se desenvolve nas redes sociais. 
Atualmente, crimes mais mediáticos acendem a atividade nas redes sociais. De repente, todos são capazes de encontrar os culpados e de os julgar com uma facilidade tremenda. Pela primeira vez na minha vida enquanto leitora de livros do género vi o papel das redes sociais a ser abordado. É muito interessante e realista a forma como a escritora vai encaixando estes elementos ao longo do texto. É muito real, muito próximo daquilo que, nos dias de hoje, facilmente encontramos no Facebook e no Twiter. Foi tão realista que enquanto lia o livro facilmente me recordei de crimes mediáticos que aconteceram em Portugal, nomeadamente o desaparecimento da Joana, da Maddie, do bebé Madeirense... Infelizmente, é um livro ficcional que tem muito de realista e espero que a escritora mantenha este registo.

Servindo-se de todas estas armas narrativas, Cara Hunter atira-nos para o desespero de uma família cheia de esqueletos no armário. E como não bastam os esqueletos da família de Daisy, ainda nos oferece os esqueletos inspetor Adam.
Quanto à família de Daisy, a autora conduz-nos por um ambiente familiar complexo. A complexidade é nos oferecida de forma doseada, mas sem deixar espaço para aborrecimentos. É um livro cheio de ação e de acontecimentos. Não há tempo para o tédio. Ao virar de cada página encontramos algo de novo, algo que nos faz pensar afinal quem é que andou a tramar isto tudo. Tive sempre muitas desconfianças, mas muito poucas certezas. 

Achei toda a equipa de investigação muito interessante e muito bem construída. Fiquei com vontade de saber mais sobre todos eles, e espero receber mais informação no livro seguinte. Adam é a cereja no topo do bolo. Um homem com um passado doloroso, que no fim, ao saber o que lhe aconteceu fiquei com o coração apertado. Infelizmente, senti falta de mais. Precisava de ter lá escrito tudo o que aconteceu na vida deste homem um meses antes daquela fatalidade. Precisa de o compreender mais, de ver o seu interior de uma forma mais plena.

O final... Bem, mais um daqueles que jamais irei esquecer. Se por lado foi surpreendente (apesar de ao longo do livro pensar que aquela personagem estava implicada de alguma forma) por outro deixou-me um gosto agridoce. Tenho dificuldade em lidar com injustiças. E este final é de certa forma injusto. Fiquei frustrada porque não fechou da história de forma totalmente conclusiva. Eu precisa de mais. Porém, tenho a leve desconfiança que num próximo livro este caso ainda irá ressuscitar. 

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Empréstimo Surpresa | Empréstimo Surpresa [Desafio]



Desafio para o livro “Cinder”, de Marissa Meyer

Leituras desafiantes

Desta vez, pediste-me um livro que te desafiasse, que te fizesse sair da tua zona de conforto. E foi assim que o “Cinder” chegou às tuas mãos.

Agora peço-te que sejas tu a eleger um conjunto de 5 livros que consideres desafiantes e que possam ser boas opções para os leitores explorarem nestes últimos quatro meses do ano.

  1. "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago - A escrita de Saramago não é fácil e a história é densa. Estes dois aspetos tornaram esta leitura um verdadeiro desafio para mim.
  2. "Messias" de Boris Starling - Para estômagos mais sensíveis este livro poderá ser um verdadeiro desafio. É um policial muito, muito gráfico. Um livro com passagens que me deixaram nauseada. 
  3. "Os Maias" de Eça de Queirós - Eu adorei este livro, mas sei que a escrita narrativa e o tamanho tornam-no num verdadeiro desafio para muita gente.
  4. "A Filha da Floresta" de Juliet Marillier - Eu não sou fã de fantasia e gostei muito deste livro, mas também já li muitas opiniões de pessoas que ficaram mais insatisfeitas com a leitura. A partir de uma certa fase do livro a história desenrola-se mais lentamente e isso poderá constituir um desafio para alguns leitores.
  5. "Aparição" de Virgílio Ferreira  - Este livro está longe de ser consensual. Aliás, atrevo-me a dizer que são mais as pessoas que não gostam dele do que aquelas que gostam. Eu adorei. É um livro mais instrospetivo e com uma forte carga filosófica. É um livro construído com base em elementos que podem afastar alguns leitores e tornar a leitura num verdadeiro desafio. 
Ensaio Sobre a Cegueira   Resultado de imagem para Messias by Boris Starling   Os Maias   A Filha da Floresta  (Trilogia de Sevenwaters, #1)   Aparição

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Opinião | "Até que sejas minha" de Samantha Hayes (DCI Lorraine Fisher #1)

Até que sejas minha (DCI Lorraine Fisher #1)
Classificação: 5 Estrelas

"Até que sejas minha" foi mais uma das minhas escolhas cegas na biblioteca. Não conhecia escritora nunca me tinha cruzado com o livro e não tinha lido nenhuma opinião. Vi que era um thriller e decidi trazê-lo para casa. Há sempre aquelas fases leitoras mais sangrentas em que as minhas necessidades só são satisfeitas com leituras um pouco negras.

Todo o livro é narrado, alternadamente, pela Claudia, pela Zoe e um narrador que dá voz a Lorraine Fisher e nos dá a perspetiva policial. Claudia é uma mulher que vive o final da sua gravidez e Zoe, a ama contratada para a ajudar com os dois filhos do marido de uma relação anterior. Lorraine é um elemento da equipa policial que terá dores de cabeça profissionais e pessoais.
Esta opção narrativa da escritora foi soberba, porque só serviu para adensar mais a minha curiosidade e me deixar sempre com vontade de ler mais um capítulo só para aceder a uma perspetiva diferente e recolher um pouco mais de informação. Acho que ia sempre à procura de corroborar as minhas ideias, todas elas alimentadas pela escritora.

Andava eu numa ânsia por confirmar tudo aquilo que estava na minha cabeça que, a cem páginas do fim, decido dar um salto à última página. Bem feita para mim que acabei por me oferecer um bom spoiler. Pensei que a leitura já não iria ter o mesmo sabor. Acabei por fazer todo o filme na minha cabeça, embora com algumas lacunas, e não estava à espera de ser ainda mais surpreendida.

Enganei-me!! A vontade de ler continuou, e foi-me oferecido um final e um desenrolar narrativo que me deixou sem palavras. É daqueles finais que dificilmente se esquecem. É forte, inesperado e muito bem arquitetado.

É um livro que nos mostra os diferentes lados das relações, as dificuldades de se viver em família, as cedências e os sacrifícios. De forma subtil também a doença mental tem um espaço no livro e gostei da forma como a escritora a colocou e a abordou. Permitiu-me refletir sobre um conjunto de aspetos impossíveis de partilhar com vocês porque seria a minha maneira de vos oferecer spoilers.

Caso decidam ler este livro quero que apreciem a beleza da articulação dos acontecimentos e da forma como todos os pormenores são organizados para conduzir o leitor pelos caminhos certos. Um dos últimos capítulos é particularmente enervante, uma vez que as dúvidas sugam toda a nossa sanidade mental. Absorvam tudo! Apreciem cada pormenor, cada discurso de cada personagem e, no fim, deixem que o vosso queixo cai perante a surpresa que só o desfecho é capaz de provocar. 
Fiquei extremamente curiosa para ler mais livros da Samantha Hayes. 

domingo, 22 de setembro de 2019

Por detrás das palavras | Aniversário


Hoje o blog faz 8 anos... 
Este foi um dos anos em que mais pensei em deixar de escrever no blog. Acho que o cansaço estava a levar o melhor de mim. Para além disso, os blogs deixaram de ser tão atratativos a grande parte dos internautas. Apesar de gostar de escrever para mim, de gostar de registar as minhas leituras e o que vou fazendo, apesar de adorar escrever sobre tudo e sobre nada é importante que outras pessoas gostem de ler o que aqui vou colocando, que gostem de passar por aqui (assim como existem outros blogs que vou acompanhando e comentando mais raramente). 

Mas aguentei, e estou feliz por aqui continuar. 
Quero agradecer a todas as pessoas que gostam de ler as minhas opiniões literárias e cinematográficas (são sempre verdadeiras e espelham aquilo que realmente senti com a leitura), que gostam de ler os meus devaneios e que me vão acompanhando por aqui. 

Quero agradecer à Daniela do blog Quando se abre um livro pela presença constante e que vai muito além do blog. Quando pensava em deixar de escrever por aqui, lembrava-me sempre dela e da sua opinião relativamente ao blog constituir uma excelente forma de atividade mental e de nos envolver e motivar para alguma coisa. 

Quero agradecer à Asa, à Coolbooks, à Porto Editora, à Quinta Essência e à Topseller por me disponibilizarem novidades literárias para ler e divulgar de forma honestas e sincera. Sem vocês seria muito mais difícil aceder a novos livros e a novos autores. 

Espero continuar a ter energia para continuar a escrever por aqui. 
Venham, pelo menos, mais oito.